No último encontro nacional do PT, o
presidente Lula deu a senha: “O Lulinha paz e amor, morreu. Agora é guerra”.
Vejamos o que dois grandes líderes mundiais disseram sobre o assunto. “A
política é quase sempre tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na
guerra, a pessoa só pode morrer uma vez, mas na política, diversas vezes”
opinou Winston Churchill. Será que Lula está visualizando o risco de uma
segunda morte? Já Mao Tse Tung, pontuou: “A política é uma guerra sem
derramamento de sangue, e a guerra é a política com derramamento de sangue”. A
guerra, no Brasil, parece já declarada. Oxalá, fiquemos apenas no terreno da
política.
Há um equívoco se repete corriqueiramente. Atores
do “meio” defendem que o problema do Brasil é a polarização. Ora, ora, ora,
política é, na essência, polarização. É a forma democrática de arbitrar o
conflito de visões, valores e projetos presentes na sociedade. É só lembrar. A
ruptura do pacto oligárquico por São Paulo levou à Revolução de 30, liderada
por Vargas. Getúlio sofreu oposição ferrenha dos integralistas (direita), do
Partido Comunista Brasileiro e da UDN de Carlos Lacerda. JK e Jango não escaparam da hostilidade
radical udenista que derivou no golpe de 1964. O embate entre ARENA e MDB, no
período autoritário, era tudo, menos um mar de rosas. A polarização PSDB e PT
chegou ao limite da esquerda alimentar o “nós contra eles”, a falsa ideia de herança
maldita e o “Fora FHC”. Collor e Dilma foram afastados a partir de campanhas
populares. A polarização é inevitável, a questão é sua qualidade.
O que chama a atenção, no Brasil de nossos
dias, é a baixa ressonância dos partidos e lideranças de “Centro”. O lulismo e
o bolsonarismo consolidaram núcleos consistentes e sólidos entre 25% e 35% no
eleitorado. Enquanto isso, lideranças de centro-direita e centro-esquerda, mesmo
governadores de estados importantes, patinam nas pesquisas e não conseguem
mobilizar corações e mentes. Seria o papel que cumprem, na Europa, Emmanuel Macron
na França, o SD e a CDU na Alemanha, o PSD e PS portugueses, o PP e o PSOE na
Espanha. São portadores da virtude do meio contra os extremos radicalizados.
No Brasil, a derrocada do “meio” tem a ver
com o esvaziamento do PSDB, após a Lava Jato e 2018 e 2022, o encolhimento do
CIDADANIA, as ambiguidades de MDB e PSD, a configuração do CENTRÃO como polo
pragmático e não ideológico e a cristalização da polarização entre lulismo e
bolsonarismo.
A sete meses das eleições presidenciais, tudo indica que caminhamos solidamente para o roteiro previsível encarnado na polarização entre as candidaturas de Lula e Flávio. Mas alguém já disse: “tudo que é sólido desmancha no ar”. Será que o destino nos surpreenderá?

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