terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Barbas de molho, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

André Mendonça será agente contrário à investigação sobre Dias Toffoli? Essa é a questão. Porque pesa sobre o STF – pressiona o STF – o relatório da Polícia Federal que reúne indícios de crimes cometidos pelo ministro-hoteleiro. Pesa sobre a indolência de Fachin. Pesa sobre a omissão do PGR Xandão Gonet.

Mendonça formará com eles? A propaganda corrente-influente nos dá conta de que chegou chegando à relatoria do caso Master. Cheio de providências etc. Há mesmo boas gestões; aquelas que levam a investigação aos trilhos de alguma legitimidade, restituída à PF a prerrogativa de apurar-periciar.

É alarmante o volume de dificuldades empilhado por Toffoli como relator da matéria – barreira cuja gravidade alcança a altitude do sem-precedentes quando sabido que agiu sobre conjunto que o implicava, ex-sócio do cunhado-operador de Vorcaro contra quem a Compliance Zero mobilizara a segunda fase.

Por contraste ao antecessor, Mendonça de repente deixa de ser o ministro-empresário que – na reunião secreta gravada clandestinamente – atestou a “fé pública” do colega e, fechando com a versão de que a PF promovera investigação ilegal, levantou a bandeira corporativista do efeito Orloff: “Pode acontecer com qualquer um de nós. Quero saber se vão dar esse tratamento para mim. E encerro aqui”.

O “encerro aqui” informa. Comunica o medo geral de ser o Toffoli de amanhã. Comunica as relações que tem. Comunica uma pretensão. Aquela que explica a reunião secreta da qual os juízes da Corte constitucional sairiam com solução puxadinho destinada à acomodação – como se o princípio do juiz natural fosse cabeça de gado da qual ministro-fazendeiro pudesse dispor à vontade: Toffoli ao mesmo tempo afastado da relatoria e insuspeito. A pretensão-pacto: abafar. Porque – solidariedade do temor – não será somente ele a figurar nos telefones do banqueiro e suas fachadas.

O pescador Alexandre de Moraes – que frequentava Vorcaro, que tinha a esposa como advogada do Master e que se reuniu com o presidente do BC para não falar do banco – já botou a sua relatoria paralela-intimidatória em riste e fez depor, desde a condição de investigado, o sindicalista que ousou opinar sobre a rede-arrastão que lançara: seria mais seguro fiscalizar membros do PCC que “altas autoridades” brasileiras. Xandão confirma.

Eis o Supremo: rigoroso para com servidores ainda investigados – os nomes já expostos, trancados com tornozeleiras eletrônicas – e frouxo sobre a gravação clandestina de sua reunião. Que não será investigada. Ninguém sabe ainda quem vazou dados sigilosos de parentes de ministros – os violadores apontados, porém, já sob cautelares. Os ministros sabem quem lhes gravou-vazou na alcova – e deixarão quieto, pela “paz institucional”. Ou porque, desconfiados uns dos outros, melhor será se unirem.

Serão investigadas as relações de Toffoli com a turma do Master? Mendonça apoiará que se investigue? Está respondido. •

 

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