Folha de S. Paulo
Favoritos lutam nos três maiores colégios
eleitorais para tirar a diferença da disputa à Presidência
Juntos, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro
representam mais de 40% de todo o eleitorado brasileiro
Flávio
Bolsonaro (PL) e Tarcísio de
Freitas (Republicanos) têm encontro
marcado nesta sexta-feira (27) para mais um ato da dança da
lealdade no baile da campanha eleitoral antecipada.
O reforço do governador é crucial para o senador. Salvo o imponderável, o gesto põe Tarcísio em definitivo no palanque da reeleição, mas não o afasta da cena nacional, vez que será ativo de peso na corrida da direita pela conquista da Presidência.
Flávio integra ao projeto o bem avaliado
gestor do maior colégio eleitoral do país, toma emprestado um verniz de
moderação ao bolsonarismo e, por mais que seja um falso brilhante, pode
funcionar como atrativo ao centro.
A disputa por esse eleitorado nem lulista nem
bolsonarista pode, e deve, decidir o resultado conforme o desempenho no chamado
triângulo das bermudas. São Paulo, Minas Gerais e Rio de
Janeiro representam pouco mais de 40% do eleitorado nacional.
Ali, candidaturas presidenciais emergem ou submergem.
O mais experiente e bem-sucedido entre todos os pretendentes chama-se Luiz Inácio
da Silva (PT) e está atento a isso.
Daí decorre sua disposição de deixar de fora a legenda de seu partido nessas
três eleições para os executivos estaduais.
No que se depreende dos movimentos do presidente,
em São Paulo investe no PSB de Geraldo Alckmin se Fernando
Haddad insistir em não concorrer pelo PT; aposta em Minas na
migração de Rodrigo
Pacheco, do PSD, para o
União ou MDB e se faz de indiferente à escolha da bolsonarista Jane Reis (MDB)
como vice do favoritíssimo Eduardo Paes,
do híbrido PSD.
É no Sudeste que o presidente e seus
adversários vão trabalhar para tirar a diferença que definirá o resultado. No
plano ideal, o critério de desempate seria o plano de governo visto como o
melhor para o país.
No mundo real, o substantivo dá lugar ao
adjetivo. O embate vai se dar no confronto de personalidades entre um líder de
carisma um tanto gasto e um político que ainda é um enigma e cujo capital por
ora se resume a um sobrenome.

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