sábado, 7 de fevereiro de 2026

Flávio sobe, Ratinho vai à Disney. Por Thaís Oyama

O Globo

No campo da oposição, o principal motor desta eleição continua sendo um velho conhecido dos brasileiros, o antipetismo

Flávio Bolsonaro subiu cinco pontos percentuais em um mês na pesquisa da Meio/Ideia divulgada nesta semana. É um crescimento rápido e relevante, que põe o ungido de Jair Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula. Mesmo nas hostes bolsonaristas, onde os números já eram esperados, ninguém credita a subida dele aos predicados de candidato. Tampouco atribuem o resultado à sua ainda indistinguível plataforma de campanha — até o momento limitada a promessas de reduzir impostos e fazer do irmão Eduardo ministro das Relações Exteriores.

A subida de Flávio Bolsonaro significa que, no campo da oposição, o principal motor desta eleição continua sendo um velho conhecido dos brasileiros, o antipetismo — ou, em outras palavras, a ideia de que não importa a cor do gato, desde que cace o rato. A pesquisa Ideia deixa isso claro ao mostrar que, para o eleitor bolsonarista, tanto faz o nome de Flávio ou Michelle nas urnas. Os dois exibem índices quase idênticos de intenção de voto no primeiro turno, cerca de 33%, oscilando conforme o cenário. Da mesma forma, na simulação do segundo turno contra Lula, quando são apresentados ao eleitor as alternativas Michelle, Flávio ou Tarcísio de Freitas, os índices de intenção de voto são muito semelhantes: 42% para Tarcísio, 41% para Flávio e 40% para Michelle. É a prova de que muitos desses eleitores não votam para que seu candidato ganhe, mas para que o presidente petista perca.

Do ponto de vista das pesquisas, a diferença entre os três nomes está, como sempre esteve, no quesito rejeição, em que Flávio ocupa um desconfortável primeiro lugar. Segundo o Ideia, 34% dos eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum, e 29% afirmam o mesmo de Michelle. A rejeição a Tarcísio, hoje considerado fora do jogo, é 15% — menos da metade que a de Flávio. Dado que essa escala está posta há tempos — e dada a importância da rejeição num pleito que pode ser decidido por diferença de um único e baixo dígito —, fica evidente que Bolsonaro não escolheu o candidato com maior probabilidade de ganhar, Tarcísio, mas o que lhe era mais conveniente. O nome que mais pareceu lhe oferecer chances de sobrevivência. Com Flávio candidato, Lula pode até ser reeleito, mas o clã Bolsonaro mantém na vitrine a marca da família, garante seu sustento e o bastão da oposição.

No tabuleiro da eleição, Lula joga com as brancas — como incumbente, tem vantagem na largada. Contra si, no entanto, acumula os fatos de ter ganhado em 2022 pela ínfima margem de 1,8% dos votos, de não ter conseguido avançar no campo do adversário e de enfrentar um teto de popularidade: 51% dos eleitores hoje afirmam que o presidente “não merece continuar” no cargo.

— Numa reeleição, essa é a pergunta mais importante da pesquisa — afirma Maurício Moura, fundador do Ideia.

Para superar as desvantagens, Lula terá, entre outras coisas, de manter a espetacular performance que obteve no Nordeste em 2022 e diminuir sua desvantagem no Sudeste. O desafio de Flávio, na condição de nêmesis do petista, será basicamente impedir que o rival consiga seus intentos.

Em eleições passadas, o antipetismo definiu sua cara na reta final do primeiro turno. Foi assim em 2006, com Geraldo Alckmin; em 2014, com Aécio Neves; e em 2018, com Jair Bolsonaro. Neste ano, a contar pela marcha da carroça, as abóboras podem se acomodar mais rápido.

Para quem se pergunta onde está nessa história o governador do Paraná, Ratinho Junior, candidato potencial de Gilberto Kassab à Presidência pelo PSD, a resposta é: até agora, não está. Neste momento, Ratinho se prepara para viajar à Disney, onde deverá permanecer até o fim do mês. Oxalá 2030 seja mais generoso com o Brasil e seus eleitores.

 

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