O Globo
No campo da oposição, o principal motor desta
eleição continua sendo um velho conhecido dos brasileiros, o antipetismo
Flávio Bolsonaro subiu cinco pontos percentuais em um mês na pesquisa da Meio/Ideia divulgada nesta semana. É um crescimento rápido e relevante, que põe o ungido de Jair Bolsonaro tecnicamente empatado com o presidente Lula. Mesmo nas hostes bolsonaristas, onde os números já eram esperados, ninguém credita a subida dele aos predicados de candidato. Tampouco atribuem o resultado à sua ainda indistinguível plataforma de campanha — até o momento limitada a promessas de reduzir impostos e fazer do irmão Eduardo ministro das Relações Exteriores.
A subida de Flávio Bolsonaro significa que,
no campo da oposição, o principal motor desta eleição continua sendo um velho
conhecido dos brasileiros, o antipetismo — ou, em outras palavras, a ideia de
que não importa a cor do gato, desde que cace o rato. A pesquisa Ideia deixa
isso claro ao mostrar que, para o eleitor bolsonarista, tanto faz o nome de
Flávio ou Michelle nas urnas. Os dois exibem índices quase idênticos de
intenção de voto no primeiro turno, cerca de 33%, oscilando conforme o cenário.
Da mesma forma, na simulação do segundo turno contra Lula, quando são
apresentados ao eleitor as alternativas Michelle, Flávio ou Tarcísio de
Freitas, os índices de intenção de voto são muito semelhantes: 42% para
Tarcísio, 41% para Flávio e 40% para Michelle. É a prova de que muitos desses
eleitores não votam para que seu candidato ganhe, mas para que o presidente
petista perca.
Do ponto de vista das pesquisas, a diferença
entre os três nomes está, como sempre esteve, no quesito rejeição, em que
Flávio ocupa um desconfortável primeiro lugar. Segundo o Ideia, 34% dos
eleitores dizem que não votariam nele de jeito nenhum, e 29% afirmam o mesmo de
Michelle. A rejeição a Tarcísio, hoje considerado fora do jogo, é 15% — menos
da metade que a de Flávio. Dado que essa escala está posta há tempos — e dada a
importância da rejeição num pleito que pode ser decidido por diferença de um
único e baixo dígito —, fica evidente que Bolsonaro não escolheu o candidato
com maior probabilidade de ganhar, Tarcísio, mas o que lhe era mais
conveniente. O nome que mais pareceu lhe oferecer chances de sobrevivência. Com
Flávio candidato, Lula pode até ser reeleito, mas o clã Bolsonaro mantém na
vitrine a marca da família, garante seu sustento e o bastão da oposição.
No tabuleiro da eleição, Lula joga com as
brancas — como incumbente, tem vantagem na largada. Contra si, no entanto,
acumula os fatos de ter ganhado em 2022 pela ínfima margem de 1,8% dos votos,
de não ter conseguido avançar no campo do adversário e de enfrentar um teto de
popularidade: 51% dos eleitores hoje afirmam que o presidente “não merece
continuar” no cargo.
— Numa reeleição, essa é a pergunta mais
importante da pesquisa — afirma Maurício Moura, fundador do Ideia.
Para superar as desvantagens, Lula terá,
entre outras coisas, de manter a espetacular performance que obteve no Nordeste
em 2022 e diminuir sua desvantagem no Sudeste. O desafio de Flávio, na condição
de nêmesis do petista, será basicamente impedir que o rival consiga seus
intentos.
Em eleições passadas, o antipetismo definiu
sua cara na reta final do primeiro turno. Foi assim em 2006, com Geraldo
Alckmin; em 2014, com Aécio Neves; e em 2018, com Jair Bolsonaro. Neste ano, a
contar pela marcha da carroça, as abóboras podem se acomodar mais rápido.
Para quem se pergunta onde está nessa
história o governador do Paraná, Ratinho Junior, candidato potencial de
Gilberto Kassab à Presidência pelo PSD, a resposta é: até agora, não está.
Neste momento, Ratinho se prepara para viajar à Disney, onde deverá permanecer
até o fim do mês. Oxalá 2030 seja mais generoso com o Brasil e seus eleitores.

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