O Globo
O Master, a fila do INSS e a Autoridade
Climática são fracassos
Lula está a caminho do fim de seu terceiro
mandato e arma a barraca para disputar o quarto. A sorte deu-lhe inimigos que
ocuparam a agenda nacional com a punição dos responsáveis pela trama golpista
de 2022/2023. A neblina do golpe embaça a percepção da má qualidade da terceira
gestão do presidente. Tomem-se três casos:
1) O escândalo do Banco Master, em que a
autonomia do Banco Central (BC) serviu para manter debaixo do tapete um
problema que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, “pode ser a maior
fraude bancária da História do Brasil”;
2) A promessa, feita no discurso de posse, de
zerar a fila do INSS ficou no papel;
3) A promessa de criação de uma Autoridade Climática, feita em setembro de 2024, também ficou no papel.
Três assuntos, todos relevantes, todos
congelados por má gestão.
Começando pelo Banco Master. O doutor Daniel
Vorcaro remunerava seus CDBs a taxas absurdas. O BC, presidido por Roberto
Campos Neto, fez que não viu.
Em dezembro de 2024, o ex-ministro Guido Mantega
levou Vorcaro a Lula. Segundo o Planalto, na presença de Gabriel Galípolo, o
presidente nada lhe prometeu além de uma decisão técnica do BC.
Tudo bem, mas em fevereiro o BC pediu ao
Fundo Garantidor de Créditos (uma instituição privada) um empréstimo de R$ 11
bilhões para salvar o Master. Levaram R$ 5,7 bilhões. Galípolo viria a ser
presidente do BC.
Se a decisão foi técnica, podiam contar quais
foram os critérios para injetar R$ 5,7 bilhões num banco quebrado. Faltou
gestão para prevenir o rombo e faltou gestão para impedir que se agravasse.
No seu discurso de posse, Lula prometeu:
— Estejam certos de que vamos acabar, mais
uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes
tempos de destruição.
A fila estava em 930,6 mil vítimas e hoje
passa de 3 milhões. Enquanto esteve no Ministério da Previdência, Carlos Lupi
prometia mutirões, e nada aconteceu.
De novo, o INSS só produziu o agravamento da
roubalheira do dinheiro dos aposentados, iniciada no governo Bolsonaro.
Faltou gestão para reduzir a fila.
Finalmente, cadê a Autoridade Climática?
Faltou gestão ao prometer o que não consegue entregar. Aí está um caso em que a
falta de gestão confunde-se com simples empulhação. Lula sabe há anos que a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aceita a criação dessa Autoridade
desde que ela fique no quadrado de sua burocracia. Assim, ela detonou a criação
de um organismo com poderes transversais, sediado no Planalto, lidando com
diversos ministérios.
Se a ministra congelou a ideia quando era uma
promessa de campanha, fica uma pergunta: por que Lula retomou a bandeira no
segundo ano do mandato? Pior, poderia ter atendido a Marina, criando a
Autoridade para servir de girafa no quadrado do Ministério do Meio Ambiente.
Não fez uma coisa nem outra.
Os três casos são diversos entre si. O Master
virou o que virou porque o BC não quis mexer com a banda podre do andar de
cima. A fila do INSS triplicou porque a burocracia não sabe se mexer quando
precisa trabalhar pelo andar de baixo. Com a Autoridade Climática, é apenas o
velho vício de prometer por prometer.

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