Folha de S. Paulo
Presidente leva à Casa Branca comitiva de
peso para reforçar agenda de campanha na segurança pública
Com o norte-americano como parceiro no
combate ao crime, petista desestimula interferência nas eleições
Passou abaixo do radar do noticiário o
anúncio que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez, na recente
entrevista ao UOL, de que pretende levar consigo o ministro da
Justiça, o secretário da Receita Federal e o diretor da Polícia Federal na
visita a Donald Trump,
prevista para o início de março, em Washington.
Comitiva de peso para tratar do combate ao crime organizado. Talvez não por coincidência, Fernando Haddad (PT) tenha dito nesta semana que sua data de saída da Fazenda pode ser retardada em função de pedido do presidente para que dê conta de "algumas entregas importantes" relacionadas à segurança pública.
É possível que Lula pense
em levar Haddad aos EUA ainda na condição de ministro e, com isso, integrá-lo
como ator eleitoral às tratativas internacionais sobre o tema que ocupa o topo
das preocupações dos (sobre)viventes nacionais. A gente sabe como o presidente
é bom de cenografia. Sabemos também das dificuldades que o governo tem para
emplacar suas iniciativas sobre o assunto. As duas propostas em curso no
Congresso —a PEC da
Segurança e o projeto
antifacção— estão no controle da oposição, boa de papo no quesito.
Para contornar o obstáculo, o presidente
recorre ao discurso do combate ao crime do "andar de cima".
Providência necessária, mas tampouco deixa de ser urgente cuidar do andar de
baixo, sob o domínio da criminalidade nos morros e dos assaltos no asfalto.
Levar o assunto à Casa Branca, e ainda nas
companhias dos chefes da economia, da pasta da Justiça, da polícia e da
instância capaz de identificar trajetos financeiros suspeitos, carrega o tema
da segurança a um patamar inalcançável pelos oponentes.
Com a vantagem de estabelecer mais uma linha
de contato com Donald Trump. Também um gesto de desestímulo a qualquer ideia do
presidente norte-americano de interferir nas eleições, uma hipótese que, embora
seja remota, faz parte das preocupações do governo brasileiro.
Um parceiro neutralizado é sempre um
adversário a menos a ser enfrentado.

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