terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O cais da marinha – recordações ...Pra não esquecer..., por Alfredo Maciel da Silveira

“(...)Foi quando vi pela primeira vez um jovem advogado, semblante tenso e altivo do guerreiro a "romper o cerco"*. Seu nome: Marcelo Cerqueira(...)”.

(*)“Romper o Cerco” é referência ao título de panfleto eleitoral da vitoriosa campanha de Marcelo Cerqueira em 1978  a Deputado Federal. Em célebre passeata pela Av Rio Branco, proibida pela Ditadura, Marcelo caminhou ao lado do Senador Nelson Carneiro, à frente da multidão, literal e simbolicamente “rompendo o cerco”!

Há poucas semanas fui conhecer a "Orla Conde", desde a praça 15 à praça Mauá. Passeio super agradável, oferecendo novos ângulos de contemplação do Rio, seja da paisagem natural, das construções antigas e das mais modernas. Nem me dei conta de que as grades lá presentes viriam a ser motivo da atual polêmica (Ver matéria de O Globo abaixo).

Caminhando à beira d'água, bem junto aos ancoradouros da Marinha, lembrei-me dos idos de 1970. Colegas e camaradas meus aportavam justamente ali, trazidos da Ilha das Flores pela lancha da Marinha. Então subiam algemados aquelas escadas de pedra, e conduzidos à audiência na Auditoria de Marinha, no prédio bem em frente. E lá estava eu acompanhando parentes e namorada de um deles, grande amigo e colega formando de engenharia, momento em que nos permitiam uma brevíssima aproximação com os presos. Um soldadinho desses que agora carregam grades, diante de uma mesinha, anotava tudo sobre cada um dos visitantes. Era importantíssima a nossa presença, quando já não fosse por óbvias razões afetivas e de solidariedade, também para mostrar os olhos atentos da sociedade sobre tudo aquilo que se passava.

Foi quando vi pela primeira vez um jovem advogado, semblante tenso e altivo do guerreiro a "romper o cerco". Seu nome: Marcelo Cerqueira.

Mas e agora?

De que serviriam a proteção e a segurança dessas grades?

Ao menos talvez como cenário de filme de ação...

Não sou especialista em assuntos do mar. Mas não resisto à fantasia de ver ali um cenário pra filme de James Bond: homens-rã daquela organização criminosa, a SPECTRE, chegam à noite naquelas águas imundas, para assaltar a área militar! Mas esbarram nas grades! Aí é tiro pra todo lado! E aquela caravela do Cabral ali ancorada vai a pique apoteoticamente!!!

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