O Estado de S. Paulo
Se abrir o bico, ele atingirá o Congresso, o STF, ministros, governadores, e... as eleições
O escândalo do Banco Master não é apenas o
maior da história financeira do Brasil, mas também o fator que mais pode
impactar as eleições de outubro, tanto a presidencial quanto para governadores,
deputados e senadores. Se Gilberto Kassab é o grande articulador político,
Daniel Vorcaro vai se tornando o maior desarticulador.
Dono do Master, com uma audácia e uma falta de pudor correspondentes ao seu QI, Vorcaro superou a primeira fase da sua estratégia, trocar a cadeia por tornozeleira, e investe na segunda e decisiva: cavar anulações ao longo do processo criminal, aliando questões técnico-jurídicas a recados e memórias políticas. Seu trunfo arrasador é... a ameaça de delação premiada.
Uma delação de Vorcaro não deixaria pedra
sobre pedra em Brasília e não interessa a Lula, aos Bolsonaro, nem a Gilberto
Kassab, o Centrão e seus múltiplos candidatos. Muito menos ao STF. Se ninguém
quer uma CPMI do Master, imagine uma delação de Vorcaro?
Lula finge que não é com ele, mas até que
ponto passam ilesos o chefe da Casa Civil, Rui Costa, o ministro de Minas e
Energia, Alexandre Silveira, e o líder do governo no Senado, Jacques Wagner?
Sem contar os links do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com o Master
e o fato de que foi Lula quem pôs Dias Toffoli no STF.
Se abrir o bico, ele atingirá o Congresso, o
STF, ministros, governadores, e... as eleições
O óbvio desgaste de Toffoli e Alexandre de
Moraes com a crise Master, também pode afetar Lula, pois alimenta o discurso
bolsonarista de que o STF age politicamente para perseguir
Bolsonaro e favorecer Lula. Sim, houve uma
clara tentativa de golpe envolvendo altas patentes militares e as condenações
são justas, mas, em política e eleições, a realidade é volátil e essa versão da
oposição tende a crescer.
O Master também interfere na reaproximação
pragmática de Lula com o MDB, PSD, PP e todo o Centrão. Se ele já está de
tititi com Ciro Nogueira, exchefe da Casa Civil de Bolsonaro e o mais
estridente opositor do governo no Senado, tudo pode... Mas, se Vorcaro “abrir o
bico” até contra os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo
Motta, complica. O eleitor não vai reagir?
E mais: como a primeira denúncia, também a
primeira delação puxa uma atrás da outra, com os podres vindo à tona e
deteriorando os ambientes e os tabuleiros eleitorais. Logo, as energias
políticas estão voltadas para evitar a delação de Vorcaro e as que podem vir em
cascata. Mas a que custo? Anulações no processo? Seria o fim do mundo. Aliás,
do que tantos políticos e candidatos têm medo nos segredos tanto de Vorcaro
quanto de seu ex-sócio Augusto Lima? Quem não deve não teme.

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