Gabriel Hirabahasi, Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa / O Estado de S. Paulo
Em ato considerado incomum, presidente da República discursa na sessão inaugural do Supremo e sai em defesa da Corte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse
ontem que os avanços econômicos do governo foram possíveis porque o Executivo e
o Judiciário se uniram para “derrotar” os envolvidos na tentativa de golpe após
as eleições de 2022. Durante a abertura do Ano Judiciário, no Supremo Tribunal
Federal (STF), Lula afirmou que a condenação de acusados de tentativa de golpe
foi necessária e deixou uma mensagem clara de punição a tentativas de ruptura
democrática.
“Todos esses avanços só foram possíveis porque nos unimos e derrotamos aqueles que tentaram destruir a democracia. Porque temos instituições fortes, independentes e comprometidas com a manutenção do estado democrático de direito”, disse Lula.
O petista também lembrou que ministros do
Supremo sofreram pressões e ameaças de morte, sem detalhar os casos. Durante a
investigação da tentativa de golpe, a PF relatou um plano de sequestro e
execução do ministro do STF Alexandre de Moraes, que foi o relator da investigação
e julgamento da trama golpista. O plano, segundo a PF, previa ainda a execução
de Lula e do então vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB).
Para o presidente, o STF não buscou
protagonismo e invadiu as competências de outros Poderes. Segundo Lula, a
população brasileira não deseja um conflito entre as instituições, e sim uma
estabilidade política unida de justiça social e a distribuição de
oportunidades.
Nesse sentido, ele afirmou que o Brasil se
manteve firme durante ataques externos à soberania, em referência à crise com
os Estados Unidos. Segundo Lula, o País respondeu com altivez diante da taxa de
50% sobre produtos nacionais e sanções contra autoridades e ministros
brasileiros.
“Nos unimos e derrotamos aqueles que tentaram destruir a democracia. Porque temos instituições fortes, independentes e comprometidas com a manutenção do estado democrático de direito” (Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República)
“Em 2025, enfrentamos ataques externos à
nossa soberania. E nos mantivemos firmes. O Brasil respondeu com altivez, com
base no direito internacional, com a força de suas instituições e, sobretudo,
com a legitimidade conferida pelo povo. Reafirmamos que nenhuma nação se
constrói sob tutela, e que a democracia brasileira não se curva a pressões e
intimidações de quem quer que seja”, disse Lula.
DISCURSO INCOMUM. Não é comum que o
presidente da República discurse na abertura do Ano Judiciário. O protocolo
desse tipo de cerimônia prevê os discursos do presidente da Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) e do procurador-geral da República, além do presidente do
Supremo. Lula também falou na abertura do Ano Judiciário de 2023, na sessão que
inaugurou o plenário reformado após os atos golpistas de 8 de janeiro.
A solenidade reuniu os chefes dos três Poderes em meio à crise de imagem envolvendo a atuação da Corte na investigação do Banco Master. Também estavam na solenidade os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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