quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Pelu fim das iscolas sívicos-militáris. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Erro de grafia no quadro escolar foi protagonizado por monitor do modelo cívico-militar

Ensino cívico-militar apenas ensina alunos a respeitar autoridade sem questioná-la

Nesta semana, alunos de uma escola estadual de Caçapava, no interior de São Paulo, aprenderam, além de comandos militares, a escrever errado as palavras "descansar" e "continência" —na lousa, viam "descançar" e "continêcia".

O erro de grafia no quadro escolar, capturado em vídeo, foi protagonizado por um dos monitores do modelo cívico-militar, no primeiro dia de implementação do programa. Nem os comandos militares, nem os erros de grafia caem no Enem, há de ser registrado.

A resposta da pasta estadual de Educação diante do vexame foi pior que o episódio em si. Para a secretaria estadual, os monitores não atuarão em sala de aula, mas, sim, no reforço da disciplina, do respeito e dos valores cívicos. Ou seja, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) retira 208 policiais militares da aposentadoria e paga uma bolsa-PM de R$ 301,70 por dia para que estes, entre outras coisas, controlem o corte de cabelo dos alunos, fiscalizem seus uniformes, os organizem em filas e os façam cantar o Hino Nacional.

Parte dos familiares é a favor das escolas cívico-militares. A razão, em geral, é a disciplina escolar. Mas é importante separar o joio do trigo.

Professores tampouco são a favor de um ambiente escolar em que a desordem impere. Mas coisa bem diferente é gastar R$ 17 milhões ao ano para que militares, em geral sem educação superior, executem funções para as quais não têm formação. Tarcísio precisa explicar aos pais de alunos mais pobres por que prefere gastar R$ 17 milhões com militares do que com o futuro de seus filhos.

O ensino cívico-militar serve apenas para amedrontar alunos e ensiná-los a respeitar autoridade sem questioná-la, habilidade esta útil apenas para formar a mão de obra barata de ditaduras.

Se, como os liberais, o leitor crê que o alvo da educação é formar os melhores profissionais para o mercado, deve pensar que o foco precisa estar na inovação e na excelência individual, não na subserviência. E se, como os progressistas, vê a educação como caminho para a liberdade, sabe que aquilo que liberta as pessoas é o pensamento crítico, não um cassetete sobre suas cabeças.

 

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