Por Wendal Carmo /CartaCapital
Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo
STF. Em nota, o tribunal disse que os vazamentos ocorreram para produzir
‘suspeitas artificiais’
A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira
17, quatro
mandados de busca e apreensão contra servidores públicos acusados de
vazar dados sigilosos sobre ministros do Supremo Tribunal Federal e de
seus parentes. As diligências ocorreram em três estados: São Paulo, Rio de
Janeiro e Bahia.
Os suspeitos de terem acessado de forma ilegal informações sobre os magistrados seriam Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Os nomes dos suspeitos foram divulgados pelo STF em comunicado à imprensa.
Além dos mandados de busca, os alvos também
tiveram seus sigilos fiscal e bancário quebrados, estão proibidos de se
ausentar do País e foram afastados de suas funções na Receita Federal e
no Serviço Federal de Processamento de Dados, o Serpro.
Ricardo é auditor-fiscal da Receita lotado na
delegacia da RFB em São José do Rio Preto (SP) e ingressou no serviço público
federal em 1995.
Luciano e Ruth são técnicos do seguro social
e atuam, respectivamente, na delegacia da RFB em Salvador (BA) e no Seguro
Social, em Santos (SP). Já Luiz Antônio é técnico do Serpro lotado na
delegacia da RFB no Rio de Janeiro.
Em nota, o STF sustentou que os vazamentos
ocorreram para produzir “suspeitas artificiais, de difícil dissipação”. O
comunicado diz ainda que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também pode ter
sido alvo da devassa ilegal.
No domingo 15, o jornal Folha de São Paulo revelou que, por ordem de Moraes, o Fisco deu início a
um pente fino em seus sistemas para verificar se houve quebra de sigilo de
dados de cerca de 100 pessoas. A lista conta com pais, filhos, irmãos e
cônjuges dos dez ministros do STF, de acordo com a publicação.
O rastreamento de possíveis quebras de sigilo
se encaixa no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos
públicos provocada pelas fraudes financeiras do Banco
Master. Reportagens sobre a relação de Daniel Vorcaro, dono do banco,
com ministros da Corte levantaram suspeitas de que os magistrados e seus
parentes poderiam ter tido seus sigilos fiscal e bancário devassados.
A ordem para verificar possíveis acessos
irregulares foi dado no âmbito do Inquérito das Fake News, que apura
ataques coordenados contra integrantes do STF nas redes sociais.
Por meio de comunicado à imprensa nesta
terça, a Receita afirmou que não
tolera “desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar
básico do sistema tributário”. Também disse que seus sistemas são “totalmente
rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível,
inclusive na esfera criminal”.
A Unafisco
Nacional, também em nota, afirmou que auditores-fiscais
não podem “ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises
institucionais” ou submetidos à exposição pública prematura. A entidade disse
que em 2019 Moraes também afastou dois auditores por suspeitas de vazamento de
dados fiscais de parentes de ministros do Supremo e que ambos voltaram ao
trabalho quando a acusação “mostou-se sem nenhum lastro probatório”.
Já o Sindifisco Nacional, sindicato que reúne os
auditores-fiscais da Receita, declarou que o acesso “devidamente motivado” a
dados de contribuintes não constitui quebra de sigilo e faz parte do trabalho
da categoria, enquanto a divulgação dos dados é crime. “O sindicato reforça que
todos os envolvidos devem ter seu direito ao contraditório e à ampla defesa
preservado e espera que o caso seja esclarecido o quanto antes”.

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