sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

STF e Toffoli, um abraço de afogados, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Supremo tentou uma ‘solução salomônica’, mas foi tarde demais e o estrago já foi feito

O Supremo Tribunal Federal tentou uma “solução salomônica”, ao afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do escândalo Master como se fosse “a pedido”, o que não é exatamente verdade, mas essa saída foi tarde demais e óbvia demais, já que Toffoli era indefensável e estava, ou está, afundando a Corte num abraço de afogados. O estrago já está feito.

Ao admitir que é sócio da empresa Maridt, Toffoli confirma indiretamente que seus dois irmãos, um padre e outro engenheiro de classe média, eram seus “laranjas” e deixa no ar as hipóteses de ter recebido quantias de um fundo ligado ao grupo e de lavagem de dinheiro com a dança entre fundos. Por que assumiu a relatoria do caso Master, se estava desde o início escancaradamente impedido?

A resposta parece simples: porque ele sabe o que tinha feito em carnavais passados, está envolvido na folia de Vorcaro e Zettel até o último fio de cabelo e tudo isso viria à tona. Ele “precisava impedir”. Logo, meteu a mão na relatoria para obstruir as investigações e evitar suas consequências.

Não conseguiu e as investigações continuam. A PF faz uma “busca ao tesouro”, para descobrir a origem do dinheiro que Toffoli usou na compra de parte do resort Tayayá e esbanja por aí afora. E os bilhões de Vorcaro e do Master? Não evaporaram.

Toffoli começou mal, evoluiu mal e chega lamentavelmente ao fim dos anos de toga, mas o que surpreende são sua desfaçatez ao se manter além do limite na relatoria e no próprio STF e, mais ainda, o corporativismo da Corte diante dos escândalos do Master e do seu ministro, que se autodestruiu e agora destrói a imagem de um dos pilares fundamentais da democracia.

Falar de Toffoli remete a Lula, que o jogou no STF, aos 41 anos, em 2009, contra tudo e todos, mas acaba de defender no UOL mandato para os ministros, alegando que “não é justo uma pessoa entrar com 35 anos e ficar até 75 anos, é muito tempo”.

Além de ministro mais jovem da história do STF, Toffoli tinha tomado bomba em dois concursos para juiz. E o que diz Lula hoje? “Temos que ter critérios para escolher pessoas que tenham mais solidez de conhecimento jurídico.” Pois é...

Ou o Supremo realmente se descola de Toffoli e o novo relator André Mendonça restabelece um mínimo de ordem e credibilidade ao processo e à Corte, ou o Senado vai dar um “start” nas votações de impeachment de ministros e a crise entre Poderes, os acordos esdrúxulos, o horror da sociedade e a avacalhação geral só vão piorar. Não custa lembrar que o ano é eleitoral.

 

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