O Estado de S. Paulo
Supremo tentou uma ‘solução salomônica’, mas foi tarde demais e o estrago já foi feito
O Supremo Tribunal Federal tentou uma
“solução salomônica”, ao afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do
escândalo Master como se fosse “a pedido”, o que não é exatamente verdade, mas
essa saída foi tarde demais e óbvia demais, já que Toffoli era indefensável e
estava, ou está, afundando a Corte num abraço de afogados. O estrago já está
feito.
Ao admitir que é sócio da empresa Maridt, Toffoli confirma indiretamente que seus dois irmãos, um padre e outro engenheiro de classe média, eram seus “laranjas” e deixa no ar as hipóteses de ter recebido quantias de um fundo ligado ao grupo e de lavagem de dinheiro com a dança entre fundos. Por que assumiu a relatoria do caso Master, se estava desde o início escancaradamente impedido?
A resposta parece simples: porque ele sabe o
que tinha feito em carnavais passados, está envolvido na folia de Vorcaro e
Zettel até o último fio de cabelo e tudo isso viria à tona. Ele “precisava
impedir”. Logo, meteu a mão na relatoria para obstruir as investigações e
evitar suas consequências.
Não conseguiu e as investigações continuam. A
PF faz uma “busca ao tesouro”, para descobrir a origem do dinheiro que Toffoli
usou na compra de parte do resort Tayayá e esbanja por aí afora. E os bilhões
de Vorcaro e do Master? Não evaporaram.
Toffoli começou mal, evoluiu mal e chega
lamentavelmente ao fim dos anos de toga, mas o que surpreende são sua
desfaçatez ao se manter além do limite na relatoria e no próprio STF e, mais
ainda, o corporativismo da Corte diante dos escândalos do Master e do seu
ministro, que se autodestruiu e agora destrói a imagem de um dos pilares
fundamentais da democracia.
Falar de Toffoli remete a Lula, que o jogou
no STF, aos 41 anos, em 2009, contra tudo e todos, mas acaba de defender no UOL
mandato para os ministros, alegando que “não é justo uma pessoa entrar com 35
anos e ficar até 75 anos, é muito tempo”.
Além de ministro mais jovem da história do
STF, Toffoli tinha tomado bomba em dois concursos para juiz. E o que diz Lula
hoje? “Temos que ter critérios para escolher pessoas que tenham mais solidez de
conhecimento jurídico.” Pois é...
Ou o Supremo realmente se descola de Toffoli
e o novo relator André Mendonça restabelece um mínimo de ordem e credibilidade
ao processo e à Corte, ou o Senado vai dar um “start” nas votações de
impeachment de ministros e a crise entre Poderes, os acordos esdrúxulos, o
horror da sociedade e a avacalhação geral só vão piorar. Não custa lembrar que
o ano é eleitoral.

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