O Globo
Ministro sabia desde o início que não podia
ser o relator do caso no STF
O ministro Dias Toffoli sabia, desde o
início, que não tinha condições de comandar o inquérito sobre as fraudes do
Banco Master. Em vez de se declarar impedido, insistiu na relatoria, colando a
imagem do Supremo ao escândalo financeiro.
Nos últimos meses, Toffoli tomou decisões
exóticas, que alegraram investigados e constrangeram investigadores. Impôs
sigilo absoluto sobre os autos, fez pressão sobre o Banco Central, inventou uma
acareação descabida, sequestrou documentos de uma CPI.
Quando a Polícia Federal prendeu o cunhado de
Daniel Vorcaro, o ministro exigiu que as provas recolhidas na operação fossem
lacradas e enviadas a seu gabinete. Parecia preocupado com o que poderia vir a
público.
Já eram conhecidas algumas conexões entre o ministro e a teia do Master. Toffoli viajou de jatinho para o exterior com um advogado do banco. A empresa Madridt Participações, formalmente administrada por seus irmãos, vendeu cotas de um resort a um fundo ligado a Vorcaro.
Nesta quinta, o ministro admitiu pela
primeira vez que é sócio e recebe dividendos da Madridt. O surto de
transparência não foi espontâneo. Toffoli ficou emparedado após o surgimento de
um relatório que, além de inviabilizar sua permanência no caso do banco, pode
comprometer seu futuro no tribunal.
A PF entregou ao Supremo uma série de
informações sobre o ministro extraídas do celular de Vorcaro. A notícia
encorajou Toffoli a partir para o tudo ou nada. Ele divulgou uma nota furibunda
e mandou a polícia entregar tudo o que encontrou no telefone do banqueiro. Aos
colegas, deixou claro que não tinha intenção de se afastar do inquérito.
Por que Toffoli se entrincheirou até a noite
desta quinta? Ao que tudo indica, o ministro farejou o tamanho da encrenca e
resolveu usar a toga como escudo. Com essa atitude, jogou a suspeição no
ventilador, atingindo a imagem de toda a Corte.
Após uma reunião a portas fechadas, os
supremos manifestaram “apoio pessoal” a Toffoli, mas informaram que ele abriu
mão da relatoria. Era o mínimo, mas pode ter sido só o começo. Enquanto novos
fatos não vêm à tona, o ministro deve ganhar alguns dias para descansar. Quem
sabe nas piscinas do Tayayá.

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