Após a vitória diminuiu impostos dos mais
ricos; fez do muro na fronteira do México o símbolo de sua posição xenófoba
contra imigrantes; alterou o papel dos EUA no xadrez internacional, apontando
para o famoso “América First”; combateu agressivamente o identitarismo; criou
um estilo de presidência americana inédito: midiático, intenso, agressivo,
intuitivo, sem qualquer compromisso com a verdade e uma prática avessa à
institucionalidade democrática e aos ritos do poder.
Ao ver as estripulias de Trump é difícil
imaginar que ele ocupa a cadeira onde já estiveram George Whashington, Abraham
Lincoln, Franklin Roosevelt, Thomas Jefferson, Eisenhower, Jonh Kenedy, Ronald
Regan, Bill Clinton e Barack Obama. A ascensão de Trump é radicalmente disruptiva
em relação à história política americana.
Ele perdeu as eleições de 2020 para Joe
Biden. E mostrando seu descompromisso com as tradições democráticas do país,
tentou virar a mesa, manipular os resultados, confrontar a justiça, culminando
com o estímulo aos seus seguidores para a invasão do Capitólio, inédita
tentativa de golpe de Estado nos EUA.
Por incrível que pareça, os erros do Partido
Democrata e do governo Biden foram tantos, que Trump conseguiu retomar a
presidência dos EUA, em 2024. Voltou mais maduro e firme em seu estilo. Inaugurou
um ciclo de intensa instabilidade e imprevisibilidade, nos EUA e em todo o
mundo. Voltou mais radical, mais autoritário, mais agressivo. O tradicional
discurso “O Estado da União”, que o presidente dos EUA faz no Congresso, no
início do ano, foi na última terça-feira. Nenhuma surpresa, Trump fez seu
espetáculo radicalizando suas características: agrediu a oposição apontando
para senadores e deputados democratas, chamando-os de loucos e impatriotas;
constrangeu os ministros da Suprema Corte presentes, condenando como absurda a
decisão soberana sobre o tarifaço; reafirmou suas convicções e mentiu sobre
números e informações objetivas.
O capitalismo nasceu da dissolução da
sociedade feudal e a partir da acumulação primitiva produzida pelo
mercantilismo. Ergueu instituições democráticas; desencadeou salto exponencial
na capacidade produtiva e na produtividade; integrou o mundo expandindo as
comunicações e os transportes; após duas grandes guerras e o fim da Guerra Fria,
apostou no multilateralismo, na globalização das relações econômicas com a
integração das cadeias produtivas e o livre comércio. Fortaleceu organizações
multilaterais como ONU, FMI, OMC, BIRD, OCDE, entre outras, como ferramentas
para uma governança compartilhada diante de desafios econômicos, ambientais,
militares, do mundo digital comuns a todas as Nações.
Trump quer destruir esta herança. É uma
ameaça real ao mundo contemporâneo. Que os eleitores americanos nas eleições
parlamentares de novembro sigam o exemplo da Suprema Corte e deem uma segunda
trava na ousada e perigosa aventura liderada por Donald Trump.

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