sexta-feira, 13 de março de 2026

A Sexta-Feira 13 do Supremo, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Julgamento de habeas corpus de Vorcaro pode assombrar o STF por bastante tempo

A Segunda Turma do Supremo começa a julgar hoje o pedido de habeas corpus de Daniel Vorcaro. A votação terá início numa sexta-feira 13, e suas consequências podem assombrar o tribunal por bastante tempo.

O ministro Dias Toffoli, que negava proximidade com o banqueiro, agora declarou-se suspeito e não participará do julgamento. Pode parecer má notícia para Vorcaro, mas não é. Com um ministro a menos, ele passa a precisar de apenas dois votos para sair da cadeia.

Quem acompanha a Corte de perto acredita que Luiz Fux endossará a decisão de André Mendonça para manter o dono do Master em cana. Resta a dúvida sobre os votos de Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques.

A defesa aposta nos dois para livrar o cliente da tranca e autorizar seu retorno à prisão domiciliar. Nesse cenário, o bilionário trocará uma cela de nove metros quadrados por um apartamento de alto luxo no Itaim Bibi.

Ao ordenar a segunda prisão de Vorcaro, Mendonça escreveu que ele comandava uma “estrutura de vigilância e coerção privada” comparável a uma milícia. A Polícia Federal flagrou o banqueiro corrompendo agentes públicos, ocultando patrimônio, mandando quebrar todos os dentes de um jornalista e pedindo socorro a amigos influentes.

Em novembro passado, ele já havia sido capturado no aeroporto de Guarulhos quando tentava fugir do país. O Brasil tem mais de 200 mil presos provisórios, e poucos devem ter dado tantos motivos para estarem no xadrez.

Desde que Vorcaro foi recolhido a um presídio de segurança máxima, o fantasma de uma delação premiada tira o sono de figurões da política e do Supremo. A Corte não tem a quem culpar. Foi tragada para o escândalo por ações e omissões dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Ninguém deve ser mantido no cárcere para delatar, mas uma manobra para salvar o banqueiro passaria a mensagem de que o Supremo decidiu ignorar fatos e provas para blindar seus próprios integrantes. No momento em que a desconfiança no tribunal atinge níveis recordes, pode ser a senha para um novo filme de terror.

 

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