O Estado de S. Paulo
Até onde o Supremo Tribunal Federal vai se lambuzar com ‘pizzas’ mal assadas?
Brasília evolui, a olhos vistos, do surrado “toma lá, dá cá” para o “você me livra, eu te livro e todos nós nos livramos”. Um método se abastece do dinheiro público e o outro abusa das brechas que garantem a impunidade geral, mas ambos têm a ver com corrupção e mobilizam mundos e fundos, tudo e todos, em torno de “negociações”.
Na capital do País, “negociações” têm outros
nomes ou expressões, costumeiros principalmente na boca e nas canetas de
comentaristas, analistas e críticos. Um desses apelidos é “acordão”, outro é
“vai dar em pizza” e o resultado é o mesmo: conversa-se muito e, no final,
todos se acertam. Mas em ano eleitoral fica bem mais difícil.
Neste momento, há uma tentativa de
“negociação” entre Supremo, Congresso e Planalto em torno de uma ampla e difusa
pauta que passa por emendas parlamentares, penduricalhos nos três Poderes, os
muitos tentáculos do Banco Master e o “dízimo” apartidário do INSS.
Com tantas frentes, as eleições vindo aí e a
PF sem dó nem piedade, qualquer acordão ou pizza está complicado e o grito da
moda é “salve-se quem puder”, ou melhor, “salvem quem puderem”. O que tem mais
chance é o que une todos eles: os penduricalhos, que nós é que pagamos.
O Supremo despe a toga de salvador da Pátria
e os ministros desfilam à paisana em gabinetes, reuniões, encontros, “negociações”,
e os mais “políticos” entre eles nem sequer escondem o foco: agora é salvar o
colega Dias Toffoli a qualquer custo.
Até o filho do presidente da República, o
Lulinha, teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados, tanto pelo
ministro André Mendonça, do STF, quanto pela CPMI do INSS. Entretanto, com a
família Toffoli é diferente.
O mesmo Mendonça, que pôs as investigações do
Master nos eixos, livrou os irmãos de Toffoli de depor na CPI do Crime
Organizado e o decano Gilmar Mendes, com seu voluntarismo incurável, suspendeu
as quebras de sigilo, não de Lulinha, mas da empresa dos Toffoli.
“Negociações”, “acordões” e “pizzas”, porém,
seguem regras. Têm mão dupla, custo alto, e não podem valer para um lado só.
Até onde o Supremo vai jogar tudo fora a favor de Toffoli, que já tem o
processo legal, as armas de defesa e canais para explicar tudo ao distinto
público?
Se há um “acordão” neste caso, é intramuros no Supremo, que, além de se lambuzar com uma “pizza” mal assada, fecha os olhos para os privilégios que Alexandre de Moraes usa em seu favor. A Corte, assim, adultera um velho grito de guerra para criar o “todos por uns e esses uns contra todos e a instituição”. E, afinal, Senado topa um acordão contra o impeachment de Toffoli?

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