Folha de S. Paulo
Preço do combustível dá salto raro no Brasil;
bancões preveem mais inflação no planeta
Juros sobem pelo mundo e pulam por aqui;
parte do efeito da guerra está garantido
Em fevereiro, logo antes da guerra, o preço médio do diesel estava quase tão caro quanto no mês que antecedeu o caminhonaço de maio de 2018, greve de caminhoneiros, bloqueio de estradas e locautes que pararam o país. Neste março de guerra e de início de pânicos econômicos, o combustível ficou mais caro do que no paradão de 2018 —mesmo com dados preliminares, já é possível dizê-lo.
Mais "caro" aqui quer dizer que o
custo relativo do combustível é maior, em uma conta baseada no poder de compra
do salário médio em termos de litros de diesel.
As causas do caminhonaço são discutidas até
hoje. Mas o negócio dos caminhoneiros estava na pior. Havia caminhoneiros em
excesso para uma economia deprimida havia quase quatro anos, em um momento em
que o custo dos combustíveis subia e variava com frequência, dada a nova
política de preços da Petrobras, sob Michel Temer.
O custo do diesel (em termos de salário) é
agora em março o maior desde 2012, excluído o período dos picos da Covid
(2021-2022) e 2023. Mas, em termos mais imediatamente eleitorais, importa o
nível ou a variação recente? O pico da variação de preço em um trimestre agora
é um dos quatro maiores desde 2001. Perde para outubro de 2023 (volta de
impostos sobre diesel, guerra de Israel e
Hamas, corte de produção da Opep, houthis do Iêmen atacando o mar Vermelho).
Para maio de 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, por exemplo. No caso
da gasolina, houve mais de uma dúzia de picos de alta maiores.
O custo do diesel aparece de imediato para
pouca gente, claro. Vai afetar o preço dos produtos transportados, em
particular comida. Em 12 meses, a inflação de alimentos está zerada. Mas o
poder de compra de alimentos do salário médio ainda é menor do que logo antes
da Covid, mesmo com a grande recuperação nos anos de Lula 3. O eleitorado, o
mais pobre em especial, vai ressentir de novo a carestia da comida. O problema
está à flor da pele, até em lugar rico, como os EUA.
Governos do mundo estão nervosos não apenas
com preços, mas com a hipótese de escassez. Na Ásia, há de racionamentos a
restrição à exportação de petróleo, como
na China e na Índia. Na Europa, há cortes de impostos e outros planos de
limitar preços.
No final da semana passada, houve altas feias
nos mercados em que se definem as taxas de juros para financiamento de dívida
pública e pisos para a economia inteira. No Brasil, tivemos pânicos com juros
na sexta (13) e, de novo, na sexta passada, (20). Juros dão saltos, para todos
os prazos. Cai a probabilidade no corte das taxas que os bancos centrais em
geral controlam, as de curtíssimo prazo (como a Selic do Brasil). Economistas
dos bancões do mundo dizem que três semanas de guerra já bastaram para garantir
aumento de inflação neste ano, pelo planeta, não importa a duração restante da
desgraça causada por Donald Trump.
Mesmo com o fim dos ataques, o conserto das instalações de produção e
transporte vai levar meses.
O governo brasileiro está nervoso também.
Tomou medidas paliativas e ora dá sinais de desespero, dizendo ao menos na
propaganda que o controle estatal da produção e da distribuição resolveria o
problema, o que não é possível, diz gente do governo, por causa de privatização
do varejo e de parte do refino. É bobagem, mas assunto para outro dia. O
problema agora é o que fazer de preços sem correr risco ainda maior de
desabastecimento, que já ocorre em partes do país.
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