sábado, 14 de março de 2026

Apertou? Chame Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O ministro Flávio Dino é líder de um grupo político no Maranhão; e usa o poder do STF para acertar contas e se impor no Estado. Ministro do STF líder de grupo político; que perverte a condição de juiz de Corte constitucional para investir contra o sigilo da fonte.

Apertou? Chame o Xandão bloqueador. É o que faz poderoso com medo ou apenas pressionado. Recorre ao gestor do inquérito infinito e onipresente que corrompeu o sentido das palavras ataque, perseguição etc. Foi o que fez, em 2019, o ex-sócio de Fabiano Zettel (cunhado de Daniel “conseguiu bloquear?” Vorcaro), o ministro Dias Toffoli: sentindo-se desonrado com reportagem que o identificara como “amigo do amigo do meu pai”, ganharia de Moraes uma censura à revista Crusoé.

Dino estava aborrecido. Porque não gostara de uma publicação, cujo conteúdo não consegue refutar, acionou a Polícia Federal. Dino, ex-governador, hoje senador togado, quer saber quais – quem, entre seus adversários regionais – foram as fontes do jornalista Luís Pablo para que publicasse reportagem que PF, PGR e Alexandre de Moraes considerariam “crime de perseguição”. Razão para que a pescaria – que o delegado Xandãochamou de ordem de busca e apreensão – fosse justificada.

Diz Moraes – para atentar contra a liberdade individual – sobre elementos de prova que são as próprias reportagens do jornalista: “Os elementos de prova indicam que o investigado atenta contra a liberdade individual e pessoal do ministro (...)” Diz a reportagem: Dino e seus parentes utilizaram continuamente automóvel do Tribunal de Justiça do Maranhão – automóvel de uso restrito – para fins pessoais e sem cessão formal.

É provável que Luís Pablo seja ligado ao grupo político adversário do de Dino; e que tenha sido subsidiado a partir de vazamentos distribuídos por essa turma. É incontroverso que o que publicou seja matéria jornalística de interesse público. Ocorre que, no país em que vige o direito xandônico, optou-se por investigar o denunciante e ignorar a denúncia. Tem sido assim, vide as acusações de Eduardo Tagliaferro sobre abusos de Moraes no TSE.

A PGR de Paulo “on the rocks” Gonet, tão sossegada – não haveria razão para prisão preventiva, né? – sobre o obstrutor de Justiça (e pagador de Macallan) Vorcaro, aquele que violava o sistema do MPF e conversava com um capanga sobre quebrar dentes de repórter, no caso de Pablo fechou celeremente com o entendimento de que a reportagem provocaria “ameaças à integridade física e psicológica da vítima” e chancelou a blitz.

O fato de Luís Pablo haver sido investigado por extorsão não desqualifica a pergunta que se quer enterrar sem resposta a contento: Dino e família utilizaram, para gozo particular, carro oficial – de uso restrito à atividade do Judiciário estadual – sem ato público que formalizasse a cessão?

O sistema que mete Luís Pablo no inquérito das fake news – e que tomaria celular e computador de Malu Gaspar, publicasse o que apura num blog pessoal – precisa investigar também as relações de ministros do STF com Vorcaro.

 

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