O Estado de S. Paulo
O crescimento do Banco Master – o livre e célere erguimento de sua pirâmide – é produto também da rede de relações costurada por Daniel Vorcaro, tessitura em que se destaca o zelo por ter várias e boas consultorias. Ele sabia selecionar prestadores de serviços cujo serviço teria valor, como se diz, subjetivo. Quase como se montasse uma coleção de arte, fomentou espécie de startup de consultorias – e, claro, consultores. Consultores influentes, inclusive jurídicos. Tudo a milhão.
Muitos consultores do Master ainda não
apareceram – o que talvez explique tanto os silêncios sobre o caso quanto as
reações para abafá-lo. O Master estava em todo lugar. Os fundos do Master
estavam em todo lugar. Os consultores do Master estavam em todo lugar. Os
consultores do Master, formais ou não, estavam em todo lugar, remunerados
direta ou indiretamente. Prontos para tentar bloquear algo. As tentativas de
bloqueio continuam, “elásticas e porosas”.
As manifestações de André Mendonça pela
prisão preventiva do obstrutor da Justiça desenham o modo como a teia vorcárica
fazia circular os dinheiros: a multiplicação de fundos, pelos quais a grana
corria longa e rapidamente, até se perder de vista, até bater em alguma
empresa, alguma consultoria, algum escritório de advocacia. Camadas e camadas
sobrepostas. Fabiano Zettel operava uma cadeia de distribuição que tinha várias
fachadas para justificar pagamentos.
Essa estrutura de negócios – esse padrão de
atividades – do Master explica por que é fundamental quebrar os sigilos fiscal
e bancário da Maridt, a empresa por meio da qual Dias Toffoli fora sócio de
fundo (Arleen) contido em outro fundo (Leal, de Zettel), esse administrado pela
onipresente Reag, investigada também na Carbono Oculto, sobre transações
para-com o PCC. Terá a Maridt, para além de sua sociedade milionária no hotel
Tayayá, prestado algum tipo de consultoria?
Na quinta, o Estadão noticiou que o advogado
Kevin Marques, filho do ministro do STF Nunes Marques, ganhara pouco mais de R$
280 mil de uma consultoria que tinha recebido cerca de R$ 18 milhões de JBS e
Master. Trânsito todo havido no período entre agosto de 2024 e julho de 2025. A
questão então sendo se a Consult, o nome da consultoria modesta (faturamento
declarado de R$ 25,5 mil), consistiria numa estrutura de passagem para
pagamentos. (A Consult, no mesmo intervalo, fez pagamentos a “consultoria de
mercado” de um ex-assessor e aliado do senador Ciro Nogueira.)
Na sexta, a revista piauí mostrou que a
relação entre o advogado e a consultoria extrapolava a mera prestação de
serviço “voltado ao fisco administrativo”. Kevin Marques é sócio de Gabriel
Campelo de Carvalho (na empresa IPTG), filho de Francisco Craveiro de Carvalho
Junior, o dono da Consult. O filho do ministro Nunes Marques remunerado pela
Consult, remunerada pelo Master (R$ 6,6 milhões) e pela JBS (R$ 11,3 milhões),
é sócio do filho do dono da Consult.
A rede de Vorcaro é cheia dessas
coincidências.

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