Folha de S. Paulo
Máquina estatal está nas mãos da família há
quase oito anos
O resultado é corrupção, clientelismo e
associação ao crime organizado
Que coincidência, não? No julgamento do TSE que condenou Cláudio Castro por abuso de poder político, econômico, irregularidades em gastos de campanha e conduta proibida a agentes públicos no período eleitoral de 2022, Nunes Marques votou a favor do réu. E André Mendonça divergiu da maioria, rejeitando a aplicação de inelegibilidade ao ex-governador. Os dois ministros foram indicados por Bolsonaro.
"As irregularidades abundam",
resumiu o ministro Floriano Azevedo Marques, referindo-se à utilização da
máquina pública, que no Rio de
Janeiro está nas mãos do bolsonarismo há quase oito anos.
Clientelista e corrupta, a gestão Castro foi um desastre geral e letal. Deixa
como legado a chacina no Alemão e na Penha, 121 mortos —exploração midiática e
eleitoreira que não abalou o poder das facções criminosas. Cerca de 4 milhões
de pessoas vivem em territórios dominados.
Castro foi um fracasso longevo. Ficou mais de
2.000 dias no Palácio Guanabara. Renunciou ao cargo como o primeiro governador
eleito em mais de três décadas que não inaugurou uma única estação de metrô. Na
saúde, produziu o escândalo dos transplantes, em que seis pacientes receberam
órgãos contaminados com o vírus HIV. O banco Master não
poderia faltar em seu currículo. O Rioprevidência é investigado pela PF por
investimentos de R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao banco. Para 2026, a
previsão do déficit orçamentário é de R$ 18,9 bilhões, o maior em cinco anos.
No total, o Rio deve R$ 238 bilhões (84% à União).
Espelhando a tática dos governos de direita e
de extrema direita, o Rio sob Castro viveu da propaganda enganosa de combater o
crime. A operação Anomalia, da PF, revelou que policiais civis e militares
usavam a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando
Vermelho. O ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar —candidato do
capitão ao governo fluminense— foi denunciado pela PGR por vazar informações ao
CV.
É um caso especial de brutalidade: o
bolsonarismo destruindo seu próprio berço, o Rio de Janeiro.
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