Folha de S. Paulo
Processo de tomada de decisão do eleitor é
cheio de hesitações e reviravoltas
Lula é altamente competitivo mesmo que
economia piore com guerra no Irã
Reviravoltas em pesquisas
eleitorais nunca me comoveram muito, especialmente quando as sondagens
são feitas vários meses antes do pleito. O processo de tomada
de decisão dos eleitores não é linear. Eles hesitam, mudam de ideia e
respondem a estímulos que ganham destaque nos jornais e nas redes sociais, mas
que costumam revelar-se efêmeros.
No mais, políticos, marqueteiros e jornalistas tendemos a supervalorizar os eventos de campanha. Muitas vezes é mais exato prever o voto de um eleitor submetendo-o a um teste de personalidade do que perguntando-lhe com grande antecedência qual candidato ele escolherá.
A dúvida que assaltava petistas em meados do
ano passado era como Lula piorava
nas pesquisas quando seu governo tinha bons indicadores macroeconômicos a
exibir. De lá para cá, o presidente recuperou popularidade, chegou a figurar
como franco favorito e agora volta a enfrentar problemas.
Os números da economia são
mais ou menos os mesmos. Na verdade, o dado da inflação até
melhorou, muito por cortesia de Donald Trump,
que derrubou o valor do dólar. Mas petistas têm motivos para preocupação. Os
bons indicadores talvez tenham prazo para acabar.
O mesmo Trump que involuntariamente ajudou
Lula agora deflagrou uma guerra com alto potencial inflacionário e de ruptura
em cadeias logísticas.
Isso poderá custar caro a todos os
governantes que enfrentarão processos eleitorais, incluindo o próprio Agente
Laranja, que corre o risco de perder as duas casas do Congresso em novembro. E
não dá para descrever Lula como vítima inocente de Trump. Grande parte das
vulnerabilidades econômicas do Brasil são consequência de escolhas do petista.
Minha avaliação, porém, que mantenho desde
2024, é a de que o pleito presidencial será acirradíssimo. Mesmo que a economia
piore um pouco, Lula será um candidato muito competitivo, como é o caso de
qualquer presidente que tente a reeleição. Até Bolsonaro com
a pandemia nas costas, a inflação da Guerra da Ucrânia e
já dando sinais de golpismo foi.
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