O Estado de S. Paulo
Com Caiado candidato, a direita despe a
fantasia de ‘centro’ e tende a fechar com Flávio
O quase ex-governador Ronaldo Caiado pode ser tudo, menos de “centro”, e o anúncio de sua candidatura à Presidência confirma o quanto as várias frentes de direita vêm ocupando espaços de poder, enquanto a esquerda vai se fechando numa bolha que não aponta para o futuro.
O pior na escolha monocrática de Gilberto Kassab, um grande perdedor nessa história, é que Caiado, além de ser assumidamente de direita, é da direita mais identificada com o bolsonarismo do que daquela que tem resistência a ele ou o rejeita.
Com sua insignificante pontuação nas
pesquisas, não será surpresa se, em algum momento, Caiado pular na campanha de
Flávio Bolsonaro, até com certo alívio, já que vai poder parar de fingir o que
não é. Neste momento, Caiado é um candidato não levado a sério, mais adiante
ele tende a ser um ex-candidato – como foi Rodrigo Pacheco, a invenção de
Kassab em 2022.
Aos quase 77 anos, Caiado é o filho bonitão e
inteligente de uma família que respira poder e cheira a poder em Goiás, é
médico ortopedista, foi deputado por cinco mandatos, senador ativo durante o
impeachment de Dilma Rousseff e o primeiro governador do Estado eleito e
reeleito em 1.º turno.
Seu grande empurrão na política, além da
tradição da família, foi a liderança e a presidência da União Democrática
Ruralista (UDR), que reúne os principais grupos do setor, nasceu com a bandeira
da defesa da propriedade privada e teve grande prestígio como entidade não só
do agro, mas da direita nacional.
Apontado como o governador mais bem avaliado
do País, muito por sua política de segurança dura e efetiva, Caiado teve sua
grande chance presidencial em 2018, quando o ambiente lhe era favorável.
Rejeitou e, assim, transformou Jair Bolsonaro no polo aglutinador da direita e
dos movimentos “antissistema”.
Nos quatro anos de Bolsonaro na Presidência,
Caiado trocou tapas e beijos e tentou se manter independente, mas, daí a ser
classificado como de centro, raia a fake news. Se alguém poderia ocupar esse
espaço, com direito a carimbo na testa, seria Eduardo Leite, que fez todo o
jogo da união enquanto o candidato de Kassab não era lançado, mas rasgou o
uniforme no primeiro segundo após ser abandonado em favor de Caiado.
Isso confirma que, apesar de empoderada, a direita
está rachada, o centro não existe e Lula não engata. É nesse clima, e com STF,
Congresso e Executivo desconectados da sociedade, que emerge Renan Santos. Aos
42 anos, empresário e presidente do partido Missão, bate em Lula, Flávio e vai
bater em Caiado, sem apresentar nada consistente. Ele se apresenta como “o
Milei brasileiro”, mas está mais para “o Pablo Marçal nacional”. O eleitorado
jovem pode até gostar. •

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