terça-feira, 31 de março de 2026

Xandão vai salvar o Rio, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Largaram a mão do “Cláudio” – o patrocinador, para quem entregavam cabeças. Descobriram de repente o assalto milionário à fundação Ceperj, por meio do qual – com abuso de poderes político e econômico – Castro e seus bacellares desequilibraram a disputa eleitoral de 2022; e em função do qual foram correta e tardiamente condenados pela Justiça Eleitoral.

O ex-governador – que sempre foi o que é, e sobre cuja administração escrevi, neste jornal, em 25 de outubro de 2024, o artigo O governo de Cláudio Castro acabou sem ter começado – já era. Rei morto (“Cláudio” tem todo o direito de se sentir traído), rei posto. Ou rei projetado: Eduardo Paes, aquele a ser beneficiado pela eleição direta a governadortampão. Governador-tampão em junho – a se reeleger em outubro. Essa é a conta de chegada. Porque será direta a eleição-tampão – comunica a blitz editorial combinada à legislação de Alexandre de Moraes. Para limpar o Rio do comando criminoso. Uma chance única – é desse modo explícito que se convoca o STF a decidir politicamente. (Uma chance única – não que seja mentira.)

A isso – a oportunismos, a soluções jurídicas para fins partidários – ficou reduzido o debate sobre como deverá ser a votação para o mandato suplementar. Seria indireta, conforme encaminhava o Supremo, a Alerj – infiltrada pelo CV – por colégio eleitoral, a Alerj que reelegera Rodrigo Bacellar por unanimidade, donde favorito qualquer que fosse o candidato da direita bolsonarista “tipo Cláudio”. O candidato: Douglas Ruas, ex-secretário de Castro.

Todo mundo quer governar o Rio até outubro, sentado na cadeira e operando a máquina – para que sobretudo o outro não a opere. Cada lado trabalhando pela modalidade que o faria favorito. O STF instado a nos salvar. Diante dessa oportunidade, provocado a agir – a criar a forma da intervenção regeneradora – para nos livrar daqueles que pilharam longamente (e, vê-se, despercebidamente) o Estado.

Esta é a equação redentora – e eleitora de Paes: porque Castro renunciou para fugir à cassação, o que seria golpe, convoca-se o Supremo a justiçar o golpista e formalizá-lo cassado; o que não fez o TSE. Está decidido, dependendo de legalização, que Ruas – o candidato da direita bolsonarista “tipo Cláudio” – não se sentará na cadeira até outubro; nem até a eleição suplementar, caso eleito presidente da Alerj, o que o poria na linha sucessória. Essa é a meta a que se ajusta o Direito. Haverá briga. A Corte constitucional implorada a formular para que um grupo não permaneça no poder.

Será direta a eleição – ou ao menos dessa maneira decidirá o Supremo. Porque então estaremos diante da talvez impossibilidade logística e econômica de organizar um pleito direto, excepcional, sem que se embolasse com aquele regular, de outubro. Xandão já deu a senha também para o apaziguamento desse impasse – e saberá inventar o fundamento jurídico para o puxadinho. Não descarte esta hipótese: o presidente do Tribunal de Justiça, governador em exercício, ficando na cadeira até 1.º de janeiro. Não lhe seria sacrifício. •

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