Folha de S. Paulo
Leite pediu a Kassab tempo para tentar se
viabilizar interna e externamente como candidato a presidente
PSD adiou o anúncio da candidatura para
aplacar as divergências em torno dos nomes dos dois governadores
A saída de Ratinho
Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente
no PSD.
Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo
Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza.
O anúncio, antes previsto para o final da semana, foi adiado para segunda ou terça-feira, podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas. É que Eduardo Leite decidiu reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo.
Combinou-se, então, que seria dado ao
governador do Rio Grande do Sul um tempo, uma chance de se
posicionar publicamente para mostrar que teria condições de ser o candidato a
presidente e, assim, tentar mudar internamente o rumo das águas correntes em
favor do governador de Goiás.
Caiado ainda é o preferido dos conselheiros
encarregados de fazer a escolha, mas o grupo começou a receber pressões de
fora, de setores mais identificados com o centro por onde transitam
empresários, intelectuais, ex-ministros, políticos e personalidades de peso na
vida nacional.
Esse pessoal considera que Eduardo Leite
estaria mais apto do que Caiado para carregar a bandeira da reconstrução do
caminho do meio entre as correntes representadas por Lula
(PT) e Bolsonaro (PL). Não necessariamente para vencer agora, mas
para acumular forças com vista à disputa em 2030.
Nessa perspectiva, o gaúcho levaria vantagem
em dois aspectos: de geração (acabou de fazer 41 anos) e de visão de mundo mais
próxima do chamado centro-democrático com um misto de pitadas de esquerda e
plumagem tucana. O goiano tem 77 anos de idade e carreira política na direita.
Os argumentos, se não sensibilizam
completamente o entorno de Kassab, são suficientes para funcionar como alerta
na condução do processo, de maneira que do dissenso se chegue a um razoável
entendimento com o mínimo possível de vidros quebrados pelo caminho.

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