O Estado de S. Paulo
Daniel Vorcaro, Martha Graeff e o sucesso do
Brasil no próximo Oscar
São dois, e não um, os personagens-chave e explosivos do caso Master: Daniel Vorcaro, o onipresente, e Martha Graeff, sua namorada da época bilionária e glamourosa, que sabe de tudo, ou de muita coisa, e nos lembra o quanto as mulheres, como Thereza Collor, foram decisivas para esclarecer grandes escândalos nacionais, da Velha à Nova República.
A República de hoje – melhor não adjetivá-la – está em suspense não só diante da muito provável delação premiada de Daniel Vorcaro, mas também do momento em que Graeff decidir botar a boca no trombone sobre ele e quem, quando e onde mergulhou fundo no jogo dele.
A competição com o Oscar é evidente, no
roteiro, protagonistas, coadjuvantes, luxo, festas, jatos, mulheres lindas,
garotas de programa, “quebrar os dentes” de jornalistas e suicídio na cadeia,
com envolvimento desde pastores e blogueiros até políticos, juízes e
governadores. A realidade supera a ficção.
A delação de Vorcaro é esperada com pânico
pelos múltiplos suspeitos e ansiedade por investigadores e pela sociedade, que
questiona se um só cidadão, com um sócio com tentáculos no mundo político, um
cunhado pastor e um criminoso contratado, seria capaz de corromper tantos, ao
mesmo tempo, nos sistemas político, financeiro e empresarial para um “negócio”
dessas proporções.
Afinal, Vorcaro é o dono do Master e o
cérebro de tudo isso, ou é só a parte visível de uma engrenagem muito maior,
além do que as vistas alcançam? Seja o que for, é razoável supor que ele vá
nessa linha de defesa, para envolver poderosos de variadas origens e se embolar
com eles na vala comum, ou na lama. “Só mais um”...
Assim, Vorcaro vai dividir sua desgraça com
todos os que desfrutaram da sua pujança, cobrando dos parceiros o compromisso
de um casamento: “na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e
na doença, até que a morte (ou a cadeia?) nos separe”. Que poderes e que
grupos, políticos, empresariais... passarão ilesos?
Se Vorcaro não tem mais nada a perder, este
não é o caso de Martha Graeff, jovem, linda, que ficou noiva numa festinha de
R$ 200 milhões, mas não chegou a fazer o juramento do matrimônio. Ufa! Vai
jogar tudo, todos e o ex-noivo na fogueira para, apesar de chamuscada, tentar
não virar cinzas.
A quebra de sigilo dos telefones do namorado,
ou noivo, mostra o quanto ela sabe dos encontros, interlocutores, acertos,
crimes, mas sua estratégia de defesa é diferente da de Vorcaro. Ele vai contar
tudo dos outros, Martha vai contar tudo dos outros e dele. As duas versões se
embolam num enredo imbatível no Oscar, na sequência de Ainda Estou Aqui e O
Agente Secreto.

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