O Estado de S. Paulo
Lula anda mesmo preocupado com as consequências do escândalo Master. A ponto de querer saber dos comandantes das Forças Armadas “qual é a opinião na tropa” em relação ao STF. A pergunta foi feita num recente encontro de fim de semana em Brasília ao qual compareceram também o PGR, o ministro Cristiano Zanin e o diretor-geral da PF.
Foi dito a Lula que, por parte das Forças Armadas,
se espera em relação ao STF o mesmo rigor de investigação, processo e punição a
exemplo do ocorrido recentemente no julgamento da tentativa de golpe. Mesmo que
haja consequências para um ou outro integrante da Corte. E que muito ajudaria
se o STF – leia-se Alexandre de Moraes – colocasse Jair Bolsonaro na prisão
domiciliar.
“Só queremos em relação ao Supremo o devido
respeito ao processo legal”, assinalou-se.
A julgar como gira o carrossel político em
torno do escândalo Master, e os contornos até aqui de possíveis delações, esse
desejo hoje tem ares de uma ilusão. Mas nunca se sabe. Criou-se um “cenário
maluco”, na expressão de um comandante militar, “no qual está se reagindo mal a
quase tudo”.
Entre eles, a preocupação é com dois tipos de
degradação. Uma delas é a rápida perda de confiança por parte relevante da
sociedade em relação ao STF, criando a possibilidade (ainda tida como remota)
de algum tipo de “desobediência civil”. A outra degradação se refere à situação
geopolítica, que escancarou ao mesmo tempo os meios inadequados das Forças
Armadas para proteger o País e os dilemas colocados pela nova política de
segurança nacional da Casa Branca (que exige alinhamento incondicional aos EUA
neste hemisfério).
Em relação à questão internacional, os comandantes
cumprem espécie de “pacto de silêncio” enquanto agem para impedir que as
turbulências nas relações políticas entre Brasil e Estados Unidos contaminem a
vital área da cooperação em Defesa. “Acho que conseguimos até aqui resistir a
pressões dentro e fora para se encostar na China”, disse um graduado
interlocutor entre os militares.
O Brasil tem procurado estreitar laços no
campo da Defesa com Turquia (país-membro da Otan) e Índia, além dos próprios
americanos, que estariam acenando com uma linha de crédito de US$ 8 bilhões
para compras de armamentos nos EUA. O comandante do
Exército brasileiro deve expor
presencialmente em breve em território americano o que considera que seja uma
relação estratégica mutuamente benéfica, com ênfase na importância de terras
raras no Brasil e cooperação no combate a cartéis.
Há certo alívio na constatação, segundo esses
interlocutores, de que os militares saíram da cena política (mesmo sofrendo
grande pressão da reserva). “Estamos agora na arquibancada”, comentam. Não se
sabe muito bem qual será a qualidade do espetáculo. •

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