terça-feira, 31 de março de 2026

Por que Caiado e não Flávio? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Pelos valores, candidato do PSD está próximo de uma maioria crescente do eleitorado, mas Flávio também

Talvez maior ativo de Caiado seja os resultados positivos de seus sete anos como governador

É bom que o PSD tenha se adiantado na escolha do candidato. Quanto antes Caiado entrar na arena, mais chances tem de virar o jogo. E ele precisa realmente chacoalhar o tabuleiro, porque nada indica que o eleitorado, polarizado e calcificado, pense numa terceira via.

A escolha por Leite seria a aposta na promessa de um eleitorado fora da polarização —abrangendo a centro-esquerda e a centro-direita— que está só esperando um candidato mais ao centro. Até hoje, nunca se concretizou; Marina (2014), Alckmin (2018) e Simone Tebet (2022) estão aí de prova.

Caiado é solidamente de direita. Foi candidato a presidente em 1989 (assim como Lula). É conservador, próximo ao agro, discurso forte de segurança, imagem de machão tradicional. Pelos valores, está próximo de uma maioria crescente do eleitorado, segundo estudos como o de Felipe Nunes no livro "Brasil no Espelho".

Exceto talvez pelo último ponto, Flávio Bolsonaro também. E tem ainda o bônus de ser o candidato de Jair Bolsonaro, grande líder da direita brasileira e arqui-inimigo de Lula e do Supremo. Nessas condições, o que pode levar o eleitor de direita a preferir Caiado a Flávio?

Há aqueles com profunda rejeição aos Bolsonaros de maneira geral. Esses não precisam ser persuadidos —e, aliás, já não estavam com Flávio nas pesquisas feitas até agora. O resto, aqueles que gostam de Flávio e de seu pai, é que Caiado terá que conquistar. O que o diferencia?

Certamente não a promessa da anistia para os mandantes da trama golpista —que Caiado justifica como uma maneira de pacificar o país. Essa promessa, no entanto, embora ruim do ponto de vista democrático, pode ser um primeiro passo necessário. Para o eleitor de Flávio, a anistia de Jair é um ponto inegociável. Ao dar isso logo de cara, Caiado não conquista esses eleitores, mas tira uma barreira do caminho.

Ao contrário de Jair Bolsonaro, sempre jogou dentro das regras da democracia. Além disso, não inflamaria os confrontos institucionais. Será que esses pontos bastam para persuadir um eleitor que hoje quer votar em Flávio? Se seu rival fosse Eduardo ou Carlos —mais radicais, mais ideológicos, mais instáveis— talvez falassem mais alto. Contra o mais comedido Flávio, que tem se vendido como moderado, talvez não tenham tanta força.

Quem quiser reformismo econômico puro-sangue tem Zema. Quem quiser derrubar tudo isso que aí está tem Renan Santos. Talvez o maior ativo de Caiado seja sua experiência de gestão e os resultados positivos de seus sete anos como governador de Goiás.

Na segurança, um dos temas centrais da eleição, Goiás passou por uma queda sustentada nos números de violência, chegando à posição de quinto estado com menos homicídios no país em 2025.

Nas contas públicas, outra preocupação nacional, a melhora também foi notável: no Ranking de Competitividade dos Estados, do CLP, Goiás foi da 21ª posição em 2019 para a quinta em 2025 no indicador Solidez Fiscal. É o primeiro lugar no indicador Qualidade da Informação Contábil e Fiscal. No ranking geral, ocupa a oitava posição.

Tudo isso supõe, é claro, que o que os eleitores realmente busquem em seu voto são bons resultados para a sociedade. E todos aqueles que querem, acima de tudo, um líder para a guerra contra a esquerda? O que Caiado terá para eles?

 

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