Folha de S. Paulo
Pelos valores, candidato do PSD está próximo
de uma maioria crescente do eleitorado, mas Flávio também
Talvez maior ativo de Caiado seja os
resultados positivos de seus sete anos como governador
É bom que
o PSD tenha se adiantado na escolha do candidato. Quanto antes
Caiado entrar na arena, mais chances tem de virar o jogo. E ele precisa
realmente chacoalhar o tabuleiro, porque nada indica que o eleitorado,
polarizado e calcificado, pense numa terceira via.
A escolha por Leite seria a aposta na promessa de um eleitorado fora da polarização —abrangendo a centro-esquerda e a centro-direita— que está só esperando um candidato mais ao centro. Até hoje, nunca se concretizou; Marina (2014), Alckmin (2018) e Simone Tebet (2022) estão aí de prova.
Caiado é solidamente de direita. Foi
candidato a presidente em 1989 (assim como Lula). É
conservador, próximo ao agro, discurso forte de segurança, imagem de machão
tradicional. Pelos valores, está próximo de uma maioria crescente do
eleitorado, segundo estudos como o de Felipe Nunes
no livro "Brasil no Espelho".
Exceto talvez pelo último ponto, Flávio
Bolsonaro também. E tem ainda o bônus de ser o candidato de Jair Bolsonaro,
grande líder da direita brasileira e arqui-inimigo de Lula e do Supremo. Nessas
condições, o que pode levar o eleitor de direita a preferir Caiado a Flávio?
Há aqueles com profunda
rejeição aos Bolsonaros de maneira geral. Esses não precisam
ser persuadidos —e, aliás, já não estavam com Flávio nas pesquisas feitas até
agora. O resto, aqueles que gostam de Flávio e de seu pai, é que Caiado terá
que conquistar. O que o diferencia?
Certamente não a promessa da anistia para os
mandantes da trama golpista —que Caiado justifica como uma maneira de pacificar
o país. Essa promessa, no entanto, embora ruim do ponto de vista democrático,
pode ser um primeiro passo necessário. Para o eleitor de Flávio, a anistia de
Jair é um ponto inegociável. Ao dar isso logo de cara, Caiado não conquista
esses eleitores, mas tira uma barreira do caminho.
Ao contrário de Jair Bolsonaro, sempre jogou
dentro das regras da democracia. Além disso, não inflamaria os confrontos
institucionais. Será que esses pontos bastam para persuadir um eleitor que hoje
quer votar em Flávio? Se seu rival fosse Eduardo ou Carlos —mais radicais, mais
ideológicos, mais instáveis— talvez falassem mais alto. Contra o mais comedido
Flávio, que tem se vendido como moderado, talvez não tenham tanta força.
Quem quiser reformismo econômico puro-sangue
tem Zema. Quem quiser derrubar tudo isso que aí está tem Renan Santos. Talvez o
maior ativo de Caiado seja sua experiência de gestão e os resultados positivos
de seus sete anos como governador de Goiás.
Na segurança, um dos temas centrais da
eleição, Goiás passou por uma queda sustentada nos números de violência,
chegando à posição de quinto estado com menos homicídios no país em 2025.
Nas contas públicas, outra preocupação
nacional, a melhora também foi notável: no Ranking de Competitividade dos
Estados, do CLP, Goiás foi da 21ª posição em 2019 para a quinta em 2025 no
indicador Solidez Fiscal. É o primeiro lugar no indicador Qualidade da
Informação Contábil e Fiscal. No ranking geral, ocupa a oitava posição.
Tudo isso supõe, é claro, que o que os
eleitores realmente busquem em seu voto são bons resultados para a sociedade. E
todos aqueles que querem, acima de tudo, um líder para a guerra contra a
esquerda? O que Caiado terá para eles?

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