O Estado de S. Paulo
Em dezembro, a PM de São Paulo mandou ao governador Tarcísio de Freitas um plano curioso: aumentar de 64 para 94 o número de coronéis sem criar uma única vaga de cabo ou de soldado – o plano inicial do secretário Guilherme Derrite era ter 50 novos chefes sem demonstrar a necessidade operacional da medida.
Pior do que aumentar os caciques era a consequência do plano. Soldados, cabos e sargentos são os policiais que estão nas ruas. Com os novos coronéis, uma companhia de praças seria retirada do patrulhamento para servir aos chefes como motoristas, seguranças e ajudantes. O projeto da farra ficou parado três meses no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio o mandou à Assembleia. Agora, não são mais 30 novos coronéis, mas “só” dez. Cada um terá direito a dois carros novos e a seis policiais para ajudá-los.
O projeto foi desidratado, mas permanece o
aumento de coronéis, o que só vai retirar policiais das ruas que trabalham para
deter ladrões e malfeitores. A situação é pior em razão do encolhimento da PM
na última década. Ela se aproximou do efetivo mínimo histórico, registrado em
2023 (80.137). Por lei, a corporação deveria ter 93.802 policiais e 477
oficiais médicos. Mas em 9 de janeiro, tinha 81.594 policiais. A retirada de
policiais do patrulhamento acompanha ainda o aumento de 65% do total de PMs
servindo autoridades do Executivo,
População vai pagar a conta de R$ 0,5 bi em 3
anos sem ter um único soldado a mais nas ruas
com a criação de novas assessorias para
secretários terem PMs carregando suas pastas enquanto os bandidos carregam os
celulares da população.
O projeto também prevê o aumento do número
dos demais oficiais, dos atuais de 5.483 para 6.209. Ou seja, além dos
coronéis, o inchaço de chefes seria acompanhado por um aumento das demais
patentes, o que multiplicaria o “trem da alegria” para escalões intermediários,
com promoções em cascata.
Ao anunciar o projeto ao mesmo tempo em que
aumentou os salários da polícia, o governo divulgou o fim dos soldados de 2.ª
classe. Todos serão promovidos, mas o total de soldados e de cabos será o
mesmo. Também promoverá por merecimento todos os 2.º tenentes a 1.º tenente –
2.º tenente se tornará patente de praças. Ou seja, em vez de modernizar a
carreira, usa-se os graus hierárquicos como política salarial. É o ano
eleitoral.
Como já alertou o coronel José Vicente,
ex-secretário nacional de Segurança, “é necessário sobriedade nessas questões
organizacionais”. “Todo mundo quer pirâmide invertida, muito chefe e pouco
índio.” Essa situação comum nas PMs do Nordeste está chegando a São Paulo.
Afinal, o que deseja Tarcísio? O cidadão vai pagar em três anos a conta de R$
450 milhões, prevista pelo governo, sem ter um único soldado a mais nas ruas.

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