Em tempo: Miguel Angel Asturias foi agraciado com o prêmio Nobel de Literatura, pouco depois da chilena Gabriela Mistral. Mais tarde, receberia, das mãos de Dolores Ibarruri, a lendária líder comunista espanhola La Pasionaria, o Prêmio Lenin da Paz, em Moscou. Exilado em países como Argentina, Chile, França e Espanha, foi amigo pessoal de Jorge Amado, Pablo Neruda e Paul Valéry.
Um dos seus filhos, Rodrigo Asturias Amado, tornou-se a maior liderança da guerrilha guatemalteca e sua primeira prisão ocorreu já em 1962, logo após a Revolução Cubana. Era membro do Partido Guatemalteco do Trabalho, o nome do Partido Comunista no país. Exilado no México por sete anos, retornou clandestinamente à Guatemala, atuando por 27 anos nas montanhas, ou seja, entre 1971 e 1996. Em 2003, ele fez a opção pela vida política legal, candidatando-se inclusive à Presidência da Guatemala. Morreu de um infarto, dois anos depois.
Durante toda a luta armada, Rodrigo Asturias
Amado adotou o nome de guerra de Gaspar Ilom, o indígena rebelde de Homens
de milho. O interessante é que, mesmo quando lutava de armas na mão, Rodrigo
Ángel Asturias reconhecia a força das palavras, tão bem traduzidas pela obra
imorredoura de seu pai.
*Ivan Alves Filho, historiador

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