Folha de S. Paulo
Farra das emendas e supersalários estão
ausentes da discussão
Candidaturas de direita têm como prioridade
indulto a Bolsonaro
Em 1989, os brasileiros puderam escolher pelo
voto direto, após 29 anos, um novo presidente. Ganhou Fernando
Collor, ligado à ditadura militar, favorito da mídia e da elite
econômica, autodenominado "caçador de marajás", com discurso de
combate à corrupção e aos privilégios do funcionalismo.
A eleição foi uma festa, com tudo o que as festas podem ter de exagero e ridículo. Na cédula eleitoral havia 22 nomes, entre os quais o de Marronzinho, que se identificava como "analfabeto inteligente". Terminou em 13º lugar, com 0,3% dos votos. Em 10º, ficou Ronaldo Caiado, com 0,7%.
Abraçado à bandeira do agro, Caiado vai
tentar de novo. Já revelou o desejo autoritário de que o PT "não seja mais
opção no país" e a promessa de continuação do golpismo, com indulto a
Bolsonaro.
O ex-presidente começou a carreira política
em 1989. Segundo uma biografia escrita pelo filho 01 —cuja candidatura ao
Planalto é a cópia das incompetências do pai—, Bolsonaro se elegeu vereador no
Rio de Janeiro "porque calhou de ser a única opção que possuía no momento
para evitar que fosse vítima de perseguição". É incrível como em 37 anos
ele não conseguiu fugir a seu destino. Continua um "perseguido" na
vida.
Daquele ano para cá, muita água rolou debaixo
da ponte —ponte que quase desaba com a tentativa de golpe. O enfrentamento da
corrupção, que serviu de trampolim para a vitória de Collor, continua a ser
explorado nas campanhas, mas sem o mesmo poder de impacto na população. Basta
lembrar a recente condenação por desvios de verba de três deputados do PL,
maior partido do país, além da lista com 90 parlamentares investigados. A farra
das emendas acabou digerida pelo organismo nacional, como se fosse a ordem
natural das coisas.
Ninguém mais fala em marajás. A decisão
do STF de
praticamente manter os obscenos penduricalhos nos
três Poderes não repercutiu nas redes. Se se candidatasse hoje, Marronzinho
teria melhor sorte, surfando na guerra cultural, na pauta de costumes e nos
movimentos antissistêmicos.
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