Folha de S. Paulo
A vontade dos chefes partidários não
necessariamente atende às demandas de quem escolhe os candidatos
Ronaldo Caiado e Renan Santos dão à corrida
eleitoral um toque de charada ainda a ser desvendada
O "dedazo" eleitoral de Luiz Inácio
da Silva (PT)
funcionou há 16 anos quando conseguiu eleger e
reeleger Dilma Rousseff (PT) presidente, mas nem sempre o
método da unção deu certo.
No final dos anos 1990, a imposição de uma aliança com Anthony Garotinho (então no PDT) marcou o início da derrocada do PT no Rio de Janeiro, da qual o partido não se recuperou. Garotinho se elegeu e rompeu; em 1998 o pedetista Leonel Brizola foi vice de Lula e a chapa perdeu no primeiro turno.
A dinâmica da decisão unilateral de líderes
agora se repete nas duas pontas do espectro ideológico. O presidente fez valer
sua vontade na disputa
pelo governo de São Paulo e caminha para conseguir o
mesmo em Minas Gerais, com a anuência relutante do senador Rodrigo
Pacheco (PSB). O antecessor, Jair
Bolsonaro (PL), ungiu o filho mais
velho candidato sem consultar os correligionários.
Ambos têm força nos respectivos partidos para
decidir em nome deles. Antes de se dar o cenário como consolidado, resta saber
se eles terão tido perspicácia suficiente para compatibilizar suas ofertas com
as demandas do eleitorado. Fernando
Haddad (PT) carrega o capital da legenda, para o bem e para o
mal. Já Pacheco é solução improvisada à falta de petistas de peso em Minas.
Flávio
Bolsonaro (PL) tem ido bem na largada a
bordo do sobrenome, mas como o que importa é ter sucesso na chegada,
por ora ele ainda está na antessala das incógnitas. Não se sabe se terá estofo
para convencer como presidente nem se atrairá o centro vestido em pele de
cordeiro ou se sustentará o embate de ideias nos debates.
A entrada de Ronaldo Caiado (PSD) em cena
para brigar por uma vaga no segundo turno e a corrida por fora de Renan Santos
(Missão), que alia conservadorismo à representação do candidato antissistema,
dão à corrida eleitoral um toque de charada a ser desvendada: terão feito os
grandes chefes as escolhas certas ou faltou a eles uma melhor escuta sobre o
que deseja dizer a voz das ruas quando chegar a vez das urnas?

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