terça-feira, 21 de abril de 2026

Em clima de Copa, brasileiro é mais apostador que torcedor, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Palpites dão a seleção caindo nas quartas ou nas oitavas

Neymar tem 'aprovação' maior que Lula ou Flávio Bolsonaro

Torcer é passado. Ex-pacheco, o brasileiro encara a Copa do Mundo com enfoque calculista. Adeus ruas embandeiradas, orgulho de vestir a camisa canarinho, aperto no peito na hora do hino, a volta ao mundo da infância em 90 minutos de bola rolando.

O lance agora é, teclando no smartphone, apostar se a seleção cai na semifinal, quartas, oitavas ou mesmo se nem passa da fase de grupos. Trazer o caneco, como se dizia nos velhos tempos, é um palpite arriscado. Jogar dinheiro fora, raciocina aquele que já viveu no país do futebol.

Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros acreditam que o Brasil fica nas quartas. Só 29% esperam o sonhado hexa. Há uma penca de motivos a justificar o pessimismo, entre eles o retrospecto da equipe, que não conquista o Mundial desde 2002, tendo fracassado duas vezes diante de seleções sem tradição de títulos (Bélgica e Croácia).

Ainda pesa o discurso de inferiorização, que remete ao complexo de vira-lata diagnosticado por Nelson Rodrigues antes da Copa de 1958; o desinteresse geral por futebol; o engrandecimento dos clubes de coração envolvendo os mais fanáticos; os escândalos de roubalheira na CBF; a ressaca do 7 a 1, que não acaba; e, não por último, o desejo de simplesmente "torcer contra".

A favor —ou ao menos com esperança— estão os supersticiosos, que são legião no futebol, a lembrar que em todos os triunfos da seleção, até aqueles indiscutíveis, como no México em 1970, os times chegaram para a disputa desacreditados e cornetados. Estes fetichistas exigem não só a convocação como a titularidade de Danilo no meio de campo, apoiados na lenda boleira segundo a qual é indispensável um jogador do Botafogo no escrete para combinar talento e sorte.

De modo até certo ponto surpreendente, o Datafolha aponta que boa parte da população confia em Neymar: 53% o querem no time, aceitação de fazer inveja ao Lula e ao filho de Bolsonaro. Só que o único voto que vale é o de Ancelotti. Aos 34 anos, o "menino" Ney precisa de mais bola e de menos chilique.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.