Folha de S. Paulo
Palpites dão a seleção caindo nas quartas ou
nas oitavas
Neymar tem 'aprovação' maior que Lula ou
Flávio Bolsonaro
Torcer é passado. Ex-pacheco, o brasileiro
encara a Copa do Mundo com
enfoque calculista. Adeus ruas embandeiradas, orgulho de vestir a camisa
canarinho, aperto no peito na hora do hino, a volta ao mundo da infância em 90
minutos de bola rolando.
O lance agora é, teclando no smartphone, apostar se a seleção cai na semifinal, quartas, oitavas ou mesmo se nem passa da fase de grupos. Trazer o caneco, como se dizia nos velhos tempos, é um palpite arriscado. Jogar dinheiro fora, raciocina aquele que já viveu no país do futebol.
Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros acreditam que o Brasil fica nas
quartas. Só 29% esperam o sonhado hexa. Há uma penca de motivos
a justificar o pessimismo, entre eles o retrospecto da equipe, que não
conquista o Mundial desde 2002, tendo fracassado duas vezes diante de seleções
sem tradição de títulos (Bélgica e Croácia).
Ainda pesa o discurso de inferiorização, que
remete ao complexo de vira-lata diagnosticado por Nelson Rodrigues antes da
Copa de 1958; o desinteresse geral por futebol; o engrandecimento dos clubes de
coração envolvendo os mais fanáticos; os escândalos de roubalheira na CBF; a
ressaca do 7 a 1, que não acaba; e, não por último, o desejo de simplesmente
"torcer contra".
A favor —ou ao menos com esperança— estão os
supersticiosos, que são legião no futebol, a lembrar que em todos os triunfos
da seleção, até aqueles indiscutíveis, como no México em 1970, os times
chegaram para a disputa desacreditados e cornetados. Estes fetichistas exigem
não só a convocação como a titularidade de Danilo no meio de campo, apoiados na
lenda boleira segundo a qual é indispensável um jogador do Botafogo no escrete
para combinar talento e sorte.
De modo até certo ponto surpreendente, o
Datafolha aponta que boa parte da população confia em Neymar: 53% o
querem no time, aceitação de fazer inveja ao Lula e ao filho de Bolsonaro. Só
que o único voto que vale é o de Ancelotti. Aos 34 anos, o "menino"
Ney precisa de mais bola e de menos chilique.
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