sábado, 25 de abril de 2026

Não será trivial Lula negar ajuda ao BRB, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Quando governadora do DF formalizar pedido de aval do Tesouro a empréstimo, presidente será forçado a decidir

Licença é semelhante à que o Tesouro concedeu aos Correios, estatal com histórico de corrupção e má gestão

Não será trivial para o presidente Lula negar o aval do Tesouro Nacional ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o governo do Distrito Federal pleiteia junto ao Fundo Garantidor de Crédito para salvar o BRB em pleno ano eleitoral.

O senso comum leva a pensar que cabe ao BRB, que se meteu nas falcatruas do Master, sair dessa encrenca sozinho, sem impor ônus à União e ao contribuinte, ou sofrer intervenção do Banco Central.

Afinal, a governadora Celina Leão é adversária política do PT (Jair Bolsonaro venceu em quase todo o DF nas eleições de 2022), fazendo todo o sentido Lula ficar bem longe do caso.

Só que deixar quebrar o banco da capital federal, onde o presidente vive e trabalha, não é uma engenharia política fácil.

Na hora em que a governadora do PP formalizar o pedido de aval ao presidente, como ela planeja com apoio de lideranças políticas e votos a oferecer no Congresso, Lula será forçado a decidir. É sim ou não.

Num primeiro momento, o aval do Tesouro não exige dinheiro da União. Esse risco só acontece em caso de calote do GDF (Governo do Distrito Federal). A garantia federal tornaria a negociação mais rápida e com custo menor diante do seguro da União.

Acontece que as finanças do GDF estão tão ruins, com nota de crédito baixa, que pelas regras atuais o Tesouro teria que abrir uma exceção.

Uma licença especial do mesmo tipo que o Ministério da Fazenda liberou para viabilizar o empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, estatal também com histórico de corrupção e má gestão.

Lula 3 defende que os Correios são uma empresa importante para o país, com milhares de empregados, e não podem quebrar. Celina dirá que o BRB é também relevante para a economia de Brasília, com 9,5 milhões de clientes.

Ela preparou o terreno ao afirmar ter a impressão de que o governo federal quer deixar o BRB quebrar.

O aval é o caminho mais rápido para o banco, que não tem tempo a perder e sofre com uma severa crise de liquidez. Uma operação sem a garantia demoraria muito tempo, seis meses talvez.

O impasse será decidido quando a temperatura aumentar.

 

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