Folha de S. Paulo
Datafolha mostra que 34% dos brasileiros não acreditam que homem pisou na Lua
Embora mais instruídos, americanos também
creem em seu quinhão de bobagens
Deu no Datafolha que 34% dos
brasileiros não acreditam que o homem já pisou na Lua. Não é algo
que devesse ser colocado em dúvida. O esforço científico para levar astronautas
ao satélite natural da Terra e trazê-los de volta está fartamente documentado.
O primeiro passeio de Neil Armstrong em território selenita foi transmitido ao vivo pela TV em 1969 e testemunhado por milhões de terráqueos. Para ser cético em relação à conquista da Lua é preciso ter fé cega em conspirações secretas.
O complô lunar não é a única crença
demonstravelmente falsa exibida por minorias significativas de brasileiros.
Sondagens anteriores do Datafolha mostraram que 25% creem em Adão e Eva e numa
Terra com menos de 10 mil anos; a proporção de terraplanistas entre nós é de
7%. A resposta quase automática de quem toma conhecimento desses números é
"precisamos de mais escola!".
A própria pesquisa do Datafolha sugere que,
nos estratos mais instruídos, é menor o índice de selenicéticos. Mas não penso
que educação baste para resolver o problema. Os americanos têm mais anos de
instrução que os brasileiros (13,7 contra 10,1) em sistemas de melhor
qualidade, mas isso não os impede de acreditar em seu quinhão de bobagens.
Dois terços dos americanos acreditam em anjos
e demônios; 75% creem em fenômenos paranormais; e 20% pensam que o Sol gira em
torno da Terra. Num tributo à paranoia, 33% julgam que o governo age em conluio
com a indústria farmacêutica para esconder "curas naturais" que
existem para o câncer.
Embora tenha se tornado um lugar-comum
afirmar que a democracia depende de um consenso em torno dos fatos, Jonathan
Rauch, que já citei aqui,
observa que esse tipo de unanimidade nunca existiu. O que havia e era
importante para a, digamos, estabilidade epistêmica, era que uma elite de
políticos, cientistas e outros detentores de postos-chave estivessem de acordo
sobre o método para estabelecer os fatos e regras básicas para interpretá-los.
É esse consenso mais elitista que vai mostrando trincas.
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