Folha de S. Paulo
Ronaldo Caiado deixou muito claro que a ideia
inicial é avançar no eleitorado da família Bolsonaro
Eduardo Leite daria um colorido de centro à
candidatura, mas não conseguiria ocupar a vaga da direita no 2º turno
Na escolha de Ronaldo
Caiado em detrimento de Eduardo Leite,
o PSD deixou
claro seu plano, ao menos na linha inicial: avançar no eleitorado de Flávio
Bolsonaro (PL) para tentar uma vaga
no segundo turno.
Ou seja, investir em 2026 e não na construção de possibilidade para 2030. Assim
seria se a opção tivesse sido pelo governador gaúcho, hipótese preferida pela
ala de centro com plumagem tucana que orbita em torno do projeto alternativo,
hoje tendo como referência Gilberto
Kassab, mas sem garantia de efeito duradouro.
No ato inicial da indicação, a ideia obvia
foi garantir impacto em termos de manchetes e cortes de internet com a retomada
do tema anistia para Jair Bolsonaro e companhia. Isso enquanto o primogênito do
ex-presidente precisa deixar certos radicalismos de lado para emplacar a figura
do moderado.
Por ora, tal anistia é um terreno na Lua, mas
serve para mexer no bolsonarismo e nos setores à direita que ainda não
demonstraram especial entusiasmo com Flávio Bolsonaro. Dois são mais evidentes:
os evangélicos e o agronegócio.
Um candidato com identificação conservadora nítida teria, na visão dos
arquitetos auxiliares de Kassab, potencial para estabelecer pontes e deslocar
apoios.
Caiado pegou leve com o presidente Luiz
Inácio da Silva, limitando-se a pregar a retirada do PT da cena do poder. Em
relação a Flávio Bolsonaro, foi específico: atacou nos flancos da inexperiência
e no ímpeto da juventude versus predicados de equilíbrio.
Outra aposta do PSD é na resistência do goiano para neutralizar e rebater
ataques. Um político "cascudo", no dizer dos correligionários, tem
mais capacidade de enfrentar Lula nos
debates e fazer frente à ofensiva do PT ao longo da campanha.
Eduardo Leite daria à candidatura um colorido mais ao centro com pitadas de
esquerda. Mas dificilmente conseguiria tirar a direita da disputa final.
Nessa perspectiva, Caiado falaria mais à maioria conservadora refratária a
fanatismos. Dará
certo? Impossível saber, mas esse é o plano.

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