domingo, 19 de abril de 2026

Pancadas sobre o turismo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Tempo de guerra é sempre ruim para o turismo. Desta vez, não é diferente. Mas o setor vem levando pauladas há mais tempo, por uma conjunção de fatores.

Turismo é atividade relativamente nova da economia global. Viagens sempre houve, como houve peregrinações e deslocamentos em busca de contatos, de atividades econômicas e de conhecimento. Mas o desfrute em massa de outras culturas e de prazeres proporcionados pela natureza é mais recente.

Lugares altos, por exemplo, eram mais vistos como fator de defesa, onde se instalavam fortalezas. E, algumas vezes, até mosteiros em busca de isolamento. Mas não eram muito usados para proveito próprio. Na literatura antiga, nenhum herói aparece perdendo o fôlego diante de uma paisagem exuberante. Foi com o filósofo Jean-Jacques Rousseau (século 18), grande valorizador da natureza, que a procura dos Alpes ganhou grande interesse.

O setor aéreo enfrenta a pior crise pós-pandemia. Desde o início da Guerra do Irã, mais de 37 mil voos foram cancelados ao redor do mundo. O aeroporto de Dubai, por exemplo, ponto de conexão de mais de 100 países, restringiu as companhias aéreas estrangeiras a apenas um voo diário até 31 de maio.

Mas o turismo vem enfrentando problemas que não se devem apenas ao impacto da Guerra, que aumentou em mais de 100% os preços do querosene, responsável por cerca de 45% dos custos dos transportes operados pelos aviões.

Agora, são grandes centros de turismo, como as cidades de Veneza e Barcelona, que começam a tomar medidas de contenção do turismo, porque a população local se sente prejudicada pelo excesso de visitantes.

Uma das fontes de rejeição são as locações de curta permanência proporcionadas pelos aplicativos do tipo Airbnb, que reduziram a oferta de habitações, o que aumentou quase insuportavelmente os aluguéis residenciais para os locais.

Os números da ONU dão boa ideia da retração do setor no mundo em 2025: redução de 11% para 4% do crescimento global; de 7% para 4%, na Europa; de 25% para 6%, na Ásia do Pacífico; de 8% para 1% nas Américas; e de 14% para 8% na África.

Como consta em relatório da Cirium, empresa de dados e análises da área de aviação civil, o setor movimentou US$ 11,6 trilhões (9,8% do PIB global) em 2025, e sustentou 366 milhões de empregos. O Brasil mostrou mais dinamismo. Em 2025, cresceu 37%, apenas em número de chegadas de 9,3 milhões de turistas internacionais. Acusou, então, faturamento de US$ 7,9 bilhões.

Não há ainda informações sobre o que aconteceu neste ano. Mas as manifestações disponíveis são de novo recuo. •

 

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