O Estado de S. Paulo
Tempo de guerra é sempre ruim para o turismo. Desta vez, não é diferente. Mas o setor vem levando pauladas há mais tempo, por uma conjunção de fatores.
Turismo é atividade relativamente nova da economia global. Viagens sempre houve, como houve peregrinações e deslocamentos em busca de contatos, de atividades econômicas e de conhecimento. Mas o desfrute em massa de outras culturas e de prazeres proporcionados pela natureza é mais recente.
Lugares altos, por exemplo, eram mais vistos
como fator de defesa, onde se instalavam fortalezas. E, algumas vezes, até
mosteiros em busca de isolamento. Mas não eram muito usados para proveito
próprio. Na literatura antiga, nenhum herói aparece perdendo o fôlego diante de
uma paisagem exuberante. Foi com o filósofo Jean-Jacques Rousseau (século 18),
grande valorizador da natureza, que a procura dos Alpes ganhou grande
interesse.
O setor aéreo enfrenta a pior crise
pós-pandemia. Desde o início da Guerra do Irã, mais de 37 mil voos foram
cancelados ao redor do mundo. O aeroporto de Dubai, por exemplo, ponto de conexão
de mais de 100 países, restringiu as companhias aéreas estrangeiras a apenas um
voo diário até 31 de maio.
Mas o turismo vem enfrentando problemas que
não se devem apenas ao impacto da Guerra, que aumentou em mais de 100% os
preços do querosene, responsável por cerca de 45% dos custos dos transportes
operados pelos aviões.
Agora, são grandes centros de turismo, como
as cidades de Veneza e Barcelona, que começam a tomar medidas de contenção do
turismo, porque a população local se sente prejudicada pelo excesso de
visitantes.
Uma das fontes de rejeição são as locações de
curta permanência proporcionadas pelos aplicativos do tipo Airbnb, que
reduziram a oferta de habitações, o que aumentou quase insuportavelmente os
aluguéis residenciais para os locais.
Os números da ONU dão boa ideia da retração
do setor no mundo em 2025: redução de 11% para 4% do crescimento global; de 7%
para 4%, na Europa; de 25% para 6%, na Ásia do Pacífico; de 8% para 1% nas
Américas; e de 14% para 8% na África.
Como consta em relatório da Cirium, empresa
de dados e análises da área de aviação civil, o setor movimentou US$ 11,6
trilhões (9,8% do PIB global) em 2025, e sustentou 366 milhões de empregos. O
Brasil mostrou mais dinamismo. Em 2025, cresceu 37%, apenas em número de
chegadas de 9,3 milhões de turistas internacionais. Acusou, então, faturamento
de US$ 7,9 bilhões.
Não há ainda informações sobre o que
aconteceu neste ano. Mas as manifestações disponíveis são de novo recuo. •

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