sábado, 11 de abril de 2026

Quantos Coringas existem na política no Rio, e quem os chefia? Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Com a bênção do pai, Flávio Bolsonaro quer levar Cláudio Castro ao Senado

Ex-governador, que renunciou para evitar cassação, é responsável pelo vácuo no poder

Postada na quarta (8) —dia em que o STF começou a analisar o modelo para um mandato-tampão no Rio de Janeiro—, a foto mostra o ex-governador Cláudio Castro e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro reunidos na sede do Partido Liberal, em Brasília. Os dois exibem um sorriso amarelo, típico de quem não se suporta, mas precisa manter as aparências. Em segundo plano aparece um boneco de papelão de Bolsonaro, indicando que, mesmo preso, o ex-presidente segue dando as cartas na política fluminense.

"Mais unidos do que nunca", tuitou o ex-governador. Depois de renunciar para não ter o cargo cassado no TSE por abuso de poder político e econômico, ele mantém a candidatura ao Senado com a bênção dos Bolsonaros. Em 2022, para impulsionar sua reeleição, contratou mais de 20 mil funcionários fantasmas. Agora, além do marketing da matança, é de se imaginar que tipo de golpe Castro esconde na manga.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou o "apoio irrestrito" ao ex-governador —a sigla atuará para reverter a inelegibilidade declarada no TSE. Uma movimentação previsível: bolsonaristas se consideram acima da lei e agem com desprezo pelas instituições, quando não as destroem.

Deve-se a Cláudio Castro o cenário de incertezas sobre quem irá governar o Rio de Janeiro até o fim do ano e, sobretudo, no período eleitoral. O vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou a troco de uma cadeira no Tribunal de Contas, o que permitiria ao presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, assumir o cargo. Tendo a máquina pública nas mãos, Bacellar seria o candidato de Bolsonaro ao governo. Deu ruim, como se diz, pois o escolhido para continuar o esquema clientelista acabou preso por ligação com o Comando Vermelho. Que surpresa, não?

No julgamento do Supremo —que foi paralisado após o pedido de vista do ministro Flávio Dino—, o advogado Thiago Boverio comparou o Rio a Gotham City: "É mais fácil elegerem o Coringa do que o Batman", disse. Mas quantos Coringas existem? E quem é o chefão deles?

 

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