Como ela havia pronunciado o nome do seu
estuprador diante das autoridades policiais, passou cinco anos sem falar,
completamente muda, pois achava que a palavra poderia matar uma pessoa: “pensei
que a minha voz o havia matado”, observou mais tarde.
Retomou o gosto pela palavra por intermédio
das leituras, ao retornar à casa da avó. Aos 17 anos de idade, ela engravidou.
Para sobreviver, se prostituiu. Mais adiante, trabalhou como cozinheira.
Casou-se com um grego, sendo muito raro em seu país, àquela época, o matrimônio
entre um branco e uma negra. Tendo se separado, tornou-se bailarina e
excursionou pela Europa, integrando o elenco de "Porgy & Bess", a
primeira ópera negra.
Na volta, estabelece-se em Nova Iorque,
ligando-se a um sindicato de escritores negros. Conheceu o romancista e
ensaísta James Baldwin e o pastor Martin Luther King, este último em 1960. Em
seguida, optou por visitar a África, apoiando os movimentos de libertação
nacional que se formavam naquele continente. Viajando pelo Egito e fixando
residência em Gana, faz amizade com Malcom X. O ativista a convida para
trabalhar com ele nos Estados Unidos, auxiliando-o na luta pelos direitos dos
negros norte-americanos. Assim, em 1965, ela volta ao seu país, mas, neste
mesmo ano, Malcom X é assassinado.
Integrada ao movimento cívico organizado por
Luther King, tem um grande choque, quando este, por seu turno, é assassinado,
em 1968, exatamente no dia em que ela completaria 40 anos de idade.
Convencida por James Baldwin de que sua vida
daria um livro, passou dois anos escrevendo uma espécie de autobiografia
precoce. Refugia-se em um hotel, um hábito que contraiu ao longo de toda sua
vida, dando início a uma série de seis livros em torno de sua existência.
Publicaria mais tarde vários volumes de poesia e escreveu peças de teatro,
livros infantis, atuando paralelamente como cantora, compositora e atriz. Na
política, apoiou Hillary Clinton e foi condecorada por Barack Obama.
Maya Angelou, a autora de Eu sei
por que o pássaro canta na gaiola, morreu logo após completar 86 anos de idade,
em 2014. Era uma força da natureza – e uma lenda viva.
*Ivan Alves Filho, historiador

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