O Globo
Entre propinas, festas, milicianos,
consultorias e honorários, em três anos, o banqueiro aspergiu, numa conta de
padaria, mais de R$ 1 bilhão
Entre propinas, festas, milicianos,
consultorias e honorários, em três anos, Daniel Vorcaro aspergiu, numa conta de
padaria, mais de R$ 1 bilhão. Contratou serviços de um ex-presidente (Michel
Temer, com R$ 10 milhões), dois ex-ministros (Ricardo Lewandowski, do STF, com
pelo menos R$ 6,1 milhões e Guido Mantega , da Fazenda, com R$ 14 milhões.)
Nessa constelação de notáveis brilha o escritório de advocacia de Viviane Barci
de Moraes (R$ 80 milhões). Em quatro anos o Master gastou mais de R$ 500
milhões com advogados de 91 bancas.
A milícia privada de Vorcaro custou-lhe R$ 68,66 milhões em 2023. Nas asas de suas empresas voaram pelo menos três ministros do Supremo: Alexandre de Moraes, marido da doutora Viviane, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Este, como relator do caso Master, quis impor sigilo ao processo e tentou blindar a investigação.
O escândalo do Banco Master tomou lugar da
roubalheira da rede varejista Americanas, que expôs executivos e três dos
maiores bilionários do Brasil. Segundo o ministro Fernando Haddad, Vorcaro
armou a maior fraude bancária já vista em Pindorama. Ao contrário da turma da
Americanas, Vorcaro é um exibicionista; uma festa em Taormina, na Itália,
custou-lhe R$ 363 milhões, e um cruzeiro pelo Mediterrâneo saiu por R$ 11,5
milhões. Torrou R$ 3,3 milhões numa farofa para degustar uísque em Londres,
enfeitando-a com ministros do STF. As farofas custaram-lhe R$ 60 milhões.
É pena que o ritual das delações premiadas
não permita que estranhos às investigações participem das oitivas. Se Daniel
Vorcaro fosse interrogado pelo antropólogo Michel Alcoforado, autor de “Coisa
de rico”, suas confissões lançariam luz sobre a espécie.
Essas oitivas poderiam ter a participação
especial do festeiro Diogo Batista,conhecido como “concierge dos VIPs”. Ele
armava festas e cruzeiros para Vorcaro. Um passeio pela França custou R$ 11,5
milhões.
As festas de Vorcaro eram enfeitadas por
modelos nacionais ou europeias. Em tese, uma modelo sérvia não reconhece as
companhias nacionais. (Em outro tempo, na prática, uma modelo francesa disse ao
seu par: “Je vous ai vu à la télévision”, e estragou a noite.)
Vorcaro não é um corruptor comum, ele foi a
expressão máxima de um grupo de novos ricos que não conseguem se relacionar com
outras pessoas sem lhes dar algum capilé ou oferecer favor que os coloque em
dívida, um voo no jatinho, por exemplo.
Os brasileiros endinheirados e/ou poderosos
mudaram de patamar. No século passado, Tancredo Neves, ex-ministro da Justiça,
e Magalhães Pinto, dono do banco Nacional e governador de Minas Gerais, moraram
no mesmo edifício da Avenida Atlântica em apartamentos de 600 metros quadrados.
Por algum tempo, lá morou também, na cobertura, o banqueiro Walther Moreira
Salles.
O mundo dos bancos para Vorcaro “é uma
máfia”, e seu “business” incluía a oferta de acompanhantes para os convidados
ilustres.
Com suas fraudes, Vorcaro entrou para a
crônica política e policial. Ele é também um personagem para estudo dos
antropólogos.
O Gato de Havana
Está travada nas prateleiras a exibição
comercial do documentário “O Gato de Havana”, do jornalista Dácio Malta. É uma
visita do famoso cabaré El Gato Tuerto, que reunia nas suas noites uma geração
de músicos, escritores e artistas. Boêmios, enfim.
Dácio fez o filme em 2017, com cinco viagens
a Cuba, mais idas a Miami e Nova York e à Cidade do México. Gravou 20 músicas
de 19 compositores cubanos, com depoimentos sobre o famoso bar. Falam de si, da
noite e da vida em Cuba. Seis deles já morreram. Omara Portuondo e Chucho
Valdés estão com idades avançadas.
O filme tornou-se um documento de uma época
que vive seu ocaso. É algo comparável a uma visita aos bares de São Petersburgo
em 1917 ou à boemia de Leningrado (novo nome da cidade) em 1989, quando foi
rebatizada como ao tempo dos czares.
“O Gato de Havana” foi exibido com sucesso
nos festivais de Havana, Miami e Guadalajara, recebeu uma menção honrosa no de
Los Angeles e foi campeão de bilheteria no do Rio.
A trava que impede a exibição comercial de “O
Gato de Havana” veio do custo dos direitos autorais de 14 das 20 músicas. Essa
conta fica em US$ 30 mil.
Ele busca um interessado em associar-se à
produção do filme. No site www.ogatodehavana.com.br pode-se ver o trailer do
documentário, com alguns depoimentos.
A lição do quadrúpede
No Estado do Rio o governador renunciou para
não ser cassado e cinco de seus antecessores foram presos e um teve o
impeachment aprovado. Segundo o ministro Gilmar Mendes, o diretor da Polícia
Federal revelou-lhe que 32 ou 34 deputados estaduais recebem mesadas do jogo do
bicho. (A Alerj tem 70 deputados.) “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”,
disse Gilmar.
Esse é o mundo dos bípedes
O cachorro Hulk, da PM, farejou 48 toneladas
de maconha numa cisterna da Maré e permitiu sua apreensão. Trata-se do
equivalente à metade da estimativa do consumo mensal da erva no país.
Se Deus não ajudar, o Rio deveria dar uma
oportunidade ao faro dos quadrúpedes.
Paes no vermelho e no preto
Gilberto Kassab anunciou que Ronaldo Caiado
estará no palanque de Eduardo Paes na disputa pelo governo do Rio. Lula também.
Já Flávio Bolsonaro acredita que num eventual segundo turno, Paes ajudará ou,
pelo menos, não atrapalhará.
Conclusão: o candidato de Paes vencerá a
eleição.
Inferno do Judiciário
A magistratura vive seu inferno astral. Paga
pelas farofas, pelos penduricalhos y otras cositas más.
Mesmo assim, não merecia o último tiro, dado
pelo empresário Luciano Hang, com suas roupas auriverdes que lembram também o
Zé Carioca, de Walt Disney. Ele informou:
“O problema é que a Justiça é também
esquerdista.”
Audácia do MEC
O Ministério da Educação colocou na rede oito
mil livros nacionais e estrangeiros. Em versões eletrônicas, são grátis.
Já se foi o tempo em que o governo anunciava
livros a R$ 1, ajudando as editoras a se desfazer dos encalhes.
O governo é o maior comprador de livros de
papel do país.
A biblioteca eletrônica do MEC é o primeiro
passo para acompanhar, com cuidado, as mudanças ditadas pela tecnologia. Nessa
primeira leva, há obras de Machado de Assis, Clarice Lispector, Lima Barreto,
Ana Cristina César e Virgínia Woolf.
Terras-raras
A charanga governista está criticando o
governo americano por querer avançar nas reservas brasileiras de terras-raras.
Tudo bem, pois se o Brasil bobear, os
americanos levam essas terras a preço de banana.
Mesmo assim, vale lembrar que foi o ministro Fernando Haddad quem pôs as terras-raras no pano verde, em agosto passado.

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