Correio Braziliense
A desinformação é considerada o mal maior
deste século. Mas existe um porém: em algum momento, a verdade se estabelece.
Ela encontra caminhos e normalmente eles são institucionais.
A desinformação é considerada o mal maior
deste século. Porque ela pode decidir eleições, destruir a democracia, matar
pessoas. A IA generativa eleva o risco a uma potência extrema, até
incalculável. O uso de inteligência artificial para criar conteúdos falsos
cresceu 308% entre 2024 e 2025, segundo dados da Agência Lupa. Estamos na
véspera de uma campanha eleitoral mais uma vez polarizada, e as fake news serão
fermento para a animosidade.
Segundo o DataSenado, cerca de 70% dos brasileiros afirmam ter visto notícias falsas recentemente e 91% da população acredita que as fake news representam um perigo real para a sociedade. Ou seja, estamos todos preocupados.
Mas existe um porém: em algum momento, a
verdade se estabelece. Ela encontra caminhos e, normalmente, eles são
institucionais. Com todas as críticas à imprensa e aos poderes constituídos, é
fato que a correlação de forças e interesses políticos não impede a verdade de
vir à tona pelas vias previstas em um país democrático, em que cada poder tem
sua função. Assim, é garantida, inclusive, a defesa de acusados, garantindo um
direito fundamental.
A sucessão de fatos das últimas duas semanas
é prova inequívoca disso. A operação-abafa do caso Master-BRB no Congresso não
evitou os desdobramentos das investigações, que culminaram com a visita nada
bem-vinda da Polícia Federal aos endereços de Ciro Nogueira, presidente do PP,
artífice do Centrão. E, por vias institucionais, ele teve direito à defesa.
Assim como vários outros acusados de terem ligações de alguma forma com Vorcaro
tiveram seus espaços de fala e argumentação.
Poderia citar outros mil exemplos de como a
verdade liberta e conduz a democracia, por mais dura que ela seja. Também traz
consequências positivas, como o franco debate, levantado pelo ministro do STF
Flávio Dino em artigo publicado no Correio Braziliense, a respeito da
necessária mudança na gestão da Justiça diante de atos de corrupção comprovados
de magistrados. Sem a verdade vir à tona, quando seria proposta uma mexida
nessas regras de privilégio do Judiciário?
Financiadores de fake news, sabemos todos,
contam com a ajuda vigorosa das big techs para disseminá-las. O algoritmo não
tem vontade própria, é treinado para ter apreço pela mentira. A questão é que
quem espalha pode ser vítima e não ter sequer chance de defesa. Ou seja, esse
combate é de todos e beneficia a todos. No próximo dia 26, o Correio Braziliense
promove um debate sobre desinformação. Desde já, estão todos convidados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.