Folha de S. Paulo
Candidatura bolsonarista dá como certa a
prisão de Cláudio Castro
Polícia Federal apura infiltração de
múltiplos grupos criminosos no estado
Com as provas obtidas pela Operação Unha e Carne, a Polícia Federal não tem dúvida: Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —atualmente preso por ter obstruído a Justiça e vazado informações para o Comando Vermelho—, exerceu papel central na estrutura de poder do estado, com mais influência do que o ex-governador Cláudio Castro, a quem pretendia suceder para dar continuidade ao esquema de corrupção.
De acordo com documentos enviados ao Supremo
Tribunal Federal, Bacellar interferiu diretamente na escolha de cargos do
primeiro escalão durante o tempo —quase seis anos— em que Castro ocupou o
Palácio Guanabara. O homem forte da Alerj nomeou os titulares das secretarias
de Fazenda, Educação e Assistência Social e das polícias Militar e Civil.
Desde que o cargo lhe caiu no colo, após o
afastamento de Wilson Witzel,
seu antigo chefe, Castro se comportou como um boneco nas mãos de Flávio
Bolsonaro —que também mandava e desmandava no governo— e
aceitou dividir a cadeira e a caneta com Bacellar, aproveitando para ir de
jatinho, em viagens custeadas pelo estado, para eventos como o Carnaval de
Salvador e a corrida de Fórmula 1 em São Paulo.
Castro, contudo, não abdicou de manobrar a
máquina. Jogou fora R$ 2,6 bilhões do Rioprevidência ao investir em fundos
controlados por Daniel
Vorcaro, o "irmãozão" de Flávio. A PF acusa o
ex-governador de facilitar operações fraudulentas da refinaria Refit, de
Ricardo Magro, maior sonegador de impostos do país. As investigações
indicam que agentes públicos recebiam R$ 300 mil por mês para falsificar
declarações fiscais.
Na tradicional galeria de governadores
fluminenses presos, falta o retrato de Cláudio Castro, o qual, dizem, já está
com a moldura pronta. Enfraquecida pelo caso Dark Horse,
a campanha presidencial do filho 01 tenta evitar uma contaminação. Tarefa
difícil. Bacellar era o candidato ao governo; Castro, ao Senado.
Desde 2018, tudo o que acontece na política corrompida do Rio passa por Flávio
Bolsonaro.
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