terça-feira, 26 de maio de 2026

Além de Vorcaro, filho 01 teme mais escândalos no Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Candidatura bolsonarista dá como certa a prisão de Cláudio Castro

Polícia Federal apura infiltração de múltiplos grupos criminosos no estado

Com as provas obtidas pela Operação Unha e Carne, a Polícia Federal não tem dúvida: Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —atualmente preso por ter obstruído a Justiça e vazado informações para o Comando Vermelho—, exerceu papel central na estrutura de poder do estado, com mais influência do que o ex-governador Cláudio Castro, a quem pretendia suceder para dar continuidade ao esquema de corrupção.

De acordo com documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal, Bacellar interferiu diretamente na escolha de cargos do primeiro escalão durante o tempo —quase seis anos— em que Castro ocupou o Palácio Guanabara. O homem forte da Alerj nomeou os titulares das secretarias de Fazenda, Educação e Assistência Social e das polícias Militar e Civil.

Desde que o cargo lhe caiu no colo, após o afastamento de Wilson Witzel, seu antigo chefe, Castro se comportou como um boneco nas mãos de Flávio Bolsonaro —que também mandava e desmandava no governo— e aceitou dividir a cadeira e a caneta com Bacellar, aproveitando para ir de jatinho, em viagens custeadas pelo estado, para eventos como o Carnaval de Salvador e a corrida de Fórmula 1 em São Paulo.

Castro, contudo, não abdicou de manobrar a máquina. Jogou fora R$ 2,6 bilhões do Rioprevidência ao investir em fundos controlados por Daniel Vorcaro, o "irmãozão" de Flávio. A PF acusa o ex-governador de facilitar operações fraudulentas da refinaria Refit, de Ricardo Magro, maior sonegador de impostos do país. As investigações indicam que agentes públicos recebiam R$ 300 mil por mês para falsificar declarações fiscais.

Na tradicional galeria de governadores fluminenses presos, falta o retrato de Cláudio Castro, o qual, dizem, já está com a moldura pronta. Enfraquecida pelo caso Dark Horse, a campanha presidencial do filho 01 tenta evitar uma contaminação. Tarefa difícil. Bacellar era o candidato ao governo; Castro, ao Senado. Desde 2018, tudo o que acontece na política corrompida do Rio passa por Flávio Bolsonaro.

 

Nenhum comentário: