Folha de S. Paulo
Resultado de pesquisa após caso 'Dark Horse'
não legitima clima de já ganhou
Desafio do governo é fazer medidas econômicas
acontecerem a tempo de o eleitor colocar o voto na urna
O resultado da primeira pesquisa do Datafolha feita
integralmente após a eclosão do caso "Dark Horse"
mostrou vantagem para o presidente Lula frente
a Flávio
Bolsonaro, mas não legitima o clima de já ganhou que circulava nos
bastidores dos gabinetes de aliados do governo em Brasília nesta semana.
A candidatura de Flávio desidratou. O deslocamento na pesquisa foi significativo para a campanha.
A aposta governista é que novas denúncias do envolvimento
com Daniel Vorcaro vão enfraquecer ainda mais a candidatura do senador do PL à Presidência, mas
não interessa ao PT que elas saiam todas de uma vez. Melhor o sistema
conta-gotas.
O escândalo que une Vorcaro aos Bolsonaros
não chegou a todos os eleitores. Se os milhões do
filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro foram para sustentar
Eduardo Bolsonaro, comprar casa nos Estados Unidos e servir de financiamento
ilegal da campanha, o caso terá impacto maior nos eleitores de fora da bolha.
A família Bolsonaro precisa mostrar onde foi
parar o dinheiro e afastar as desconfianças dos políticos em relação ao que
Flávio e cia ainda guardam de segredos.
Por outro lado, é preciso esperar os
movimentos do ministro do STF André Mendonça sobre Lulinha: se o filho do
presidente tem envolvimento nas fraudes do INSS.
Enquanto isso, o desafio do governo é fazer
as medidas econômicas terem efeito a tempo de o eleitor colocar o voto na urna.
Elas podem fazer mais por Lula.
A força-tarefa do Palácio do Planalto vai se
concentrar na amplificação da comunicação das medidas já anunciadas. A isenção do
Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 já foi carimbada
como uma medida da gestão petista. Falta o resto.
O governo ainda coloca fichas importantes em
ações como o fim da
taxação das blusinhas, uma redução acelerada da fila do INSS e
a aprovação do
fim da escala 6x1.
O presidente não é o franco favorito
nas eleições,
como os petistas esperavam. Mas Lula ganhou um respiro. Sem salto alto,
recomendam os políticos aliados mais experientes.

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