sábado, 23 de maio de 2026

Datafolha dá respiro para Lula, mas sem salto alto, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Resultado de pesquisa após caso 'Dark Horse' não legitima clima de já ganhou

Desafio do governo é fazer medidas econômicas acontecerem a tempo de o eleitor colocar o voto na urna

O resultado da primeira pesquisa do Datafolha feita integralmente após a eclosão do caso "Dark Horse" mostrou vantagem para o presidente Lula frente a Flávio Bolsonaro, mas não legitima o clima de já ganhou que circulava nos bastidores dos gabinetes de aliados do governo em Brasília nesta semana.

A candidatura de Flávio desidratou. O deslocamento na pesquisa foi significativo para a campanha.

A aposta governista é que novas denúncias do envolvimento com Daniel Vorcaro vão enfraquecer ainda mais a candidatura do senador do PL à Presidência, mas não interessa ao PT que elas saiam todas de uma vez. Melhor o sistema conta-gotas.

O escândalo que une Vorcaro aos Bolsonaros não chegou a todos os eleitores. Se os milhões do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro foram para sustentar Eduardo Bolsonaro, comprar casa nos Estados Unidos e servir de financiamento ilegal da campanha, o caso terá impacto maior nos eleitores de fora da bolha.

A família Bolsonaro precisa mostrar onde foi parar o dinheiro e afastar as desconfianças dos políticos em relação ao que Flávio e cia ainda guardam de segredos.

Por outro lado, é preciso esperar os movimentos do ministro do STF André Mendonça sobre Lulinha: se o filho do presidente tem envolvimento nas fraudes do INSS.

Enquanto isso, o desafio do governo é fazer as medidas econômicas terem efeito a tempo de o eleitor colocar o voto na urna. Elas podem fazer mais por Lula.

A força-tarefa do Palácio do Planalto vai se concentrar na amplificação da comunicação das medidas já anunciadas. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 já foi carimbada como uma medida da gestão petista. Falta o resto.

O governo ainda coloca fichas importantes em ações como o fim da taxação das blusinhas, uma redução acelerada da fila do INSS e a aprovação do fim da escala 6x1.

O presidente não é o franco favorito nas eleições, como os petistas esperavam. Mas Lula ganhou um respiro. Sem salto alto, recomendam os políticos aliados mais experientes.

 

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