quinta-feira, 21 de maio de 2026

É erro histórico aprovar Lobo para a CVM e rejeitar a PEC do BC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Galípolo alertou sobre risco da falta de recursos para o regulador

Senador petista pede rejeição da PEC e proposta é dada como morta no Congresso

É um erro histórico para Lula e para o Senado aprovar o nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e rejeitar a PEC da autonomia financeira do BC (Banco Central). Os dois assuntos estão umbilicalmente vinculados ao escândalo do Banco Master.

Ex-diretor da CVM até o fim de 2025, Lobo deu decisões favoráveis a Vorcaro assim que assumiu a presidência interina do órgão fiscalizador do mercado de capitais com a saída de João Pedro Nascimento, o JP, dois anos antes do fim do mandato.

Amigo de infância de Flávio Bolsonaro, por quem foi indicado ao cargo, JP foi vítima de ataques coordenados pela organização de Vorcaro e pediu para sair assim que se viu abandonado pelo padrinho político.

A intimidação foi semelhante àquela vivida pelo ex-diretor do BC, Renato Gomes, que preparou o voto contrário à operação de compra do Master pelo BRB.

O medo foi tanto que JP pediu para sair da CVM com a mensagem de que tinha que ser "naquele dia", o que indica a urgência. JP pode ter sido alvo também do sicário, Luiz Phillipi Mourão, o braço direito e chefe operacional da milícia privada de Vorcaro, segundo suspeitas dos investigadores.

Como se sabe hoje, o filho do ex-presidente, responsável pela indicação de JP à CVM, tinha ligações próximas a Vorcaro, a quem chamava de irmão. Mesmo diante desse histórico ruim, Lula manteve a escolha.

No caso da PEC do BC, é o Executivo e o PT que trabalham contra a proposta, embora o presidente Gabriel Galípolo tenha alertado para o risco da falta de recursos para o regulador. Um pedido de vistas nesta quarta (20) adiou a votação, numa estratégia de enrolação. O senador petista Rogério Carvalho pediu a rejeição da PEC, que já é dada como morta.

Executivo e Legislativo falam do Master e da necessidade de apertar os botões da fiscalização, mas não se preocupam com o fortalecimento de instituições que são fundamentais para que não ocorra um novo caso Master. Assim virão mais dez Masters. O recado foi dado. A turma não entendeu o que está prestes a acontecer.

 

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