Folha de S. Paulo
Ativista do direito de mentir, luta contra o
direito universal de não acreditar
Chama de 'narrativa' o que lhe desabona; de 'fato' o que lhe favorece
Filho de pai preso. Segue carreira do pai e
se elege por ser filho do pai. Obedece ideias do pai, copia métodos do pai. Tem
os aliados do pai. Trilha o curriculum
do pai. Em casa, o pai o chama pelo número de antiguidade 01.
Amor filial supera o paterno.
Sua sagacidade não alcança a do pai, porém mais afiada que a dos irmãos. Nunca disse "ditadura devia ter matado mais", mas vê em 1964 "contrarrevolução democrática". Não gostaria de filho "entrando em casa e apresentando seu namorado". Definiu as medidas do governo do pai na pandemia, e o superávit de mortes evitáveis da ordem dos seis dígitos, como o que "se espera de um estadista".
Revelou que, se presidente, caso STF
anule seu indulto ao pai, "aí é confusão fora
das quatro linhas". Mas fará o possível "para que não
chegue a esse ponto". É candidato a versão moderada da família.
Apoiador da cultura nacional, lutou pela
produção de filme sobre o pai. Articulou modelo arrojado de patrocínio, onde
patrocinador prefere não aparecer. Recebeu milhões de reais de banco quando já
se sabia a magnitude das operações ilegais.
"Sem graça de ficar cobrando",
cobrou outros milhões na véspera da prisão do mecenas. Trata o banqueiro, que
alegou nunca ter conhecido, por "meu irmão", a quem confessou não
saber "como tudo isso vai acabar, está nas mãos de Deus aí", "estou
contigo sempre".
Explicou ser filme privado com dinheiro
privado. Não menciona emendas parlamentares e dinheiro de aposentados. Não
sabia que, quando autoridade pede dinheiro a banqueiro, pode cometer pelo menos
um de três crimes: corrupção, lavagem e financiamento de organização criminosa.
Depende do destino real do dinheiro, ainda não sabido, e de outras variáveis.
Não importa se privado o dinheiro.
Empresário bem-sucedido de chocolates, em
três anos sua loja recebeu 1.512 depósitos em valores idênticos e movimentou R$
3 milhões em espécie. Explicou ser assim no comércio, "no final do dia
você junta a quantia e deposita no banco".
Ministério Público e Coaf produziram provas
sobre peculato (rachadinha) de seu gabinete, de onde supostamente provinham
investimentos imobiliários em áreas de
milícias. Foram anuladas por STF e STJ, que alegaram vício
formal.
Mora em casa comprada por R$ 6 milhões,
metade financiada pelo Banco de Brasília (BRB). Negociou juros europeus de
3,71% ao ano.
Retirou assinatura do pedido de CPI do Banco
Master, mas continuou gritando a favor. Assinou outra vez depois da notícia
sobre sua relação com o banqueiro, que admitiu depois de tanto negar.
Ativista do direito de mentir, combate
cidadãos que lutam pelo direito de não acreditar. Chama de
"narrativa" o que lhe desabona, de "fato" o que lhe
favorece.
Candidato à Presidência, sua dancinha de
campanha aperfeiçoa o molejo de boneco de posto. Exibe "O Pix é do
Bolsonaro, o Master é do Lula" na camiseta. Seu irmão conspira contra a
economia brasileira perante o governo norte-americano, que cobra tarifa e
combate o Pix em favor de cartões de crédito.
Sua filosofia constitucional está encapsulada
no conceito de "legalização de milícias", emprestado do pai.
Argumenta: "As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre,
como faz para ter segurança?"
Seu pensamento religioso: "Sou
instrumento de Deus para pacificar o Brasil".
Quer novo emprego.

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