O Estado de S. Paulo
Governos e bancos movem mundos e fundos para salvar o BRB; e os bilhões de Vorcaro e ‘amigos’?
Daniel Vorcaro comprou tudo e todos,
construiu e destruiu um banco em tempo recorde, e agora? Agora, o governo
federal, o governo do DF, o Supremo, os bancos públicos e privados movem mundos
e (principalmente) fundos e a raia miúda e os contribuintes pagam parte da
conta do Master com o “ajuste fiscal” incluído no acordo de salvação do banco,
de R$ 6,5 bilhões.
Nesse caso, “ajuste” significa fim de
concursos e de vagas e piora de serviços e de manutenção da capital, ou seja,
mais arrocho para o funcionalismo público e mais descuido e irritação para a
população que depende de professores, médicos, transportes, burocracia
azeitada...
Enquanto isso, o Dr. Vorcaro volta a negociar um acordo de delação premiada com a PF, contando o que ainda não se sabe, e tem a audácia de pretender retomar o seu banco liquidado, pagar algumas dívidas e ainda ficar com um troco. Pode isso, minha gente?
Esse é o Vorcaro que oferecia jantares de R$
60 mil para, por exemplo, o então governador do Rio, seu “amigo, amigo, amigo”
Cláudio Castro, e disponibilizava R$ 134 milhões para Flávio Bolsonaro e “o
máximo” para Eduardo Bolsonaro nos EUA, para ambos, em tese, tocarem o filme do
pai.
E que contratava escritório de advocacia da família de um ministro do STF por R$ 130 milhões, tinha sociedade com outro num resort de luxo e andava por aí em jatinhos e festas nem sempre convencionais, com poderosos e garotas de programa.
Isso sem falar nos R$ 146 milhões em imóveis
que Vorcaro estava dando para o próprio presidente do BRB de então, Paulo
Henrique Costa, que até exigia piscinas.
Nós, leigos, que pagamos impostos, temos QI
suficiente para entender a emergência de cobrir o rombo e manter a capacidade
de empréstimo do banco estatal da capital da República, tentando evitar uma
crise de bom tamanho no sistema financeiro nacional.
O governo federal aprovou o acordo, sem
assumir fiança num ano eleitoral em que Master e Vorcaro são peças-chave. Ficou
assim: o BRB pede empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com fiança
dos grandes bancos públicos e privados e, em caso de calote, o GDF cobre com
dois fundos, o estadual (FPE) e o municipal (FPM).
Ok, mas nós ainda queremos saber como ficam
Vorcaro, seu sócio, seu cunhado pastor, Ibaneis, Castro, Paulo Costa, Flávio e
Eduardo, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli... A lista é longa.
E o mais importante, inclusive para os servidores e cidadãos do DF e beneficiários de fundos de pensão: e os bilhões que embalaram a festa? Onde estão, para onde irão? Essa resposta o nosso QI não alcança.

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